25º Dia da Vida Consagrada: Testemunhas de uma certeza

O Dia da Vida Consagrada foi celebrado pela primeira vez no dia 02 de fevereiro de 1997. Na mensagem do papa São João Paulo II por ocasião deste primeiro dia, o pontífice da época nos recorda a estreita ligação entre a Festa da Apresentação do Senhor e a vocação específica dos consagrados e consagradas: “O Dia da Vida consagrada será celebrado na festa em que se faz memória da apresentação que Maria e José fizeram de Jesus no Templo ‘para o apresentarem ao Senhor’ (Lc 2,22). Nesta cena evangélica, revela-se o mistério de Jesus, o consagrado do Pai, que veio ao mundo para cumprir fielmente a sua vontade (cf. Hb 10,5-7). Simeão o aponta como ‘Luz para iluminar as nações’ (Lc 2,32) e preanuncia, com palavra profética, a oferta suprema de Jesus ao Pai e a sua vitória final (cf. Lc 2,32-35). Assim, a Apresentação de Jesus no Templo constitui um eloquente ícone da total doação da própria vida, para todos os que foram chamados a reproduzir na Igreja e no mundo, mediante os conselhos evangélicos, ‘os traços característicos de Jesus virgem, pobre e obediente’ (Vita Consecrata, 1)”.

São João Paulo II, na mensagem, faz também uma bela comparação entre Maria e a Igreja: “A Virgem Mãe, que leva o Filho ao Templo, para que seja oferecido ao Pai, exprime bem a figura da Igreja que continua a oferecer seus filhos e filhas ao Pai celeste, associando-os à única oblação de Cristo, causa e modelo de toda a consagração na Igreja”.

Por fim, a mensagem exprime o desejo do papa para que o Dia da Vida Consagrada “produza frutos abundantes para a santidade e a missão da Igreja. Especialmente, ajude a fazer crescer na comunidade cristã a estima pelas vocações de especial consagração, a fazer com que se torne sempre mais intensa a oração para obtê-las do Senhor, fazendo amadurecer nos jovens e nas famílias uma generosa disponibilidade para receber esse dom. A vida eclesial no seu conjunto será beneficiada, e disso há de haurir força a nova evangelização”.

Poderíamos nos perguntar: como celebrar com júbilo os 25 anos do Dia da Vida Consagrada num tempo que se chama hoje, marcado especialmente pela terrível pandemia do Covid19 e suas nebulosas consequências que afligem a humanidade, particularmente os mais pobres e excluídos? Como celebrar, com alegria e reencanto, o jubileu de prata do Dia da Vida Consagrada em meio ao luto de tantas famílias, congregações e institutos seculares pela perda de milhares de irmãos e irmãs? Como celebrar com fé e esperança a preciosidade do Dia da Vida Consagrada permeado pelo distanciamento social, sem poder abraçar, confraternizar e cirandar?

Em meio a essa triste e dura travessia, a humanidade foi presenteada, pelo papa Francisco, no final do ano de 2020, com a Carta Encíclica Fratelli Tutti, sobre a Fraternidade e a Amizade Social. Um presente universal, com palavras de denúncias de uma realidade que se opõe ao Projeto de Deus, mas, acima de tudo, com palavras propagadoras de
ESPERANÇA, de uma esperança que ultrapassa toda e qualquer barreira. Dos Conselhos que São Francisco oferecia a seus irmãos e irmãs para lhes propor uma forma de vida com o sabor do Evangelho – assim o Papa Francisco inicia a Carta – “quero destacar o convite a um amor que ultrapassa as barreiras da geografia e do espaço.” Somos todos irmãos! Poucas e simples palavras sobre “o essencial de uma fraternidade aberta, que permite reconhecer, valorizar e amar a todas as pessoas, independentemente da sua proximidade física, do ponto da terra em que cada uma nasceu ou habita” (Fratelli Tutti 1).

Esse presente, com suas palavras norteadoras de um novo horizonte, convida-nos a pensar e lutar por uma Vida
Consagrada cada vez mais aprendiz, especialmente nesse contexto, interpelada a aprender da tragédia global como a pandemia. Quantos aprendizados já aconteceram desde o início da batalha contra o coronavírus. Um deles foi ter que reinventar novas formas de nos relacionar, encontrar, celebrar, trabalhar e solidarizar, com criatividade, dentro das redes sociais no espaço virtual, sentindo a vida pulsar de forma real.

Nesse ano jubilar somos convidados a deixar que o AMOR desperte em nós a consciência de sermos uma Vida
Religiosa Consagrada universal, interdependente de tudo e de todos. É como gostamos de cantar: “Tudo está interligado, como se fôssemos um!” Que o AMOR nos sensibilize, cada vez mais, a sermos uma Vida Consagrada em saída, de mulheres e homens que têm pressa e disposição para correr ao encontro da vida que clama.

Nesta celebração do jubileu de prata do Dia da Vida Consagrada, é tempo de nos deixarmos inspirar pelo Evangelho do dia. Como o Velho Simeão, pegar Jesus no colo e, com gratidão, rezar: “Agora, Senhor, podes deixar teu servo partir em paz, porque meus olhos viram a tua salvação!” (Lc 2,29-30). Agora, Senhor, podes deixar a Vida Religiosa Consagrada partir em paz, porque milhares de mulheres e homens consagrados já viram a vossa Salvação. Partir em paz como Consagrados e Consagradas em missão, sem deixar de contemplar o passado com gratidão, viver o presente com paixão, e o futuro com esperança. ESPERANÇA, da qual nos recorda o Papa Francisco
na Fratelli Tutti: “Convido à esperança que ‘nos fala de uma realidade cuja raiz está no mais fundo do ser humano,
independentemente das circunstâncias concretas e dos condicionamentos históricos em que vive. Fala-nos de uma sede, de uma aspiração, de um anseio de plenitude, de vida bem sucedida, de querer agarrar o que é grande, o que enche o coração e eleva o espírito para coisas grandes, como a verdade, a bondade e a beleza, a justiça e o amor. (…) A esperança é ousada, sabe olhar para além das comodidades pessoais, das pequenas seguranças e compensações que reduzem o horizonte, para se abrir aos grandes ideais que tornam a vida mais bela e digna’. Caminhemos na esperança!” (n. 55).

 

TESTEMUNHAS DE UMA CERTEZA

O Documento de Aparecida (n. 216) afirma que os Consagrados e Consagradas são discípulos missionários de Jesus Testemunha do Pai; e Jesus dá testemunho do amor do Pai. O amor que o Pai declarou por Jesus no dia do seu batismo – “Este é meu filho amado…” (Mt 3,17) – deu a Ele a força e a coragem necessárias para o cumprimento da missão, sobretudo no momento mais difícil da Cruz. Assim também, a certeza de ser amado, de não estar só ou no abandono; a firme convicção de que o olhar cuidador de Deus nos acompanha sempre, e a gratidão por descobrir-se amado enche de energia misteriosa nossas vidas nos momentos em que não sabemos mais como contar com nossas próprias forças.
Os consagrados e consagradas, tendo experimentado, a exemplo de Jesus, o poder vivificante e transformador do amor do Pai, tornaram-se livres para disporem de suas vidas. Descobriram um tesouro em troca do qual doaram tudo. Por isso, a escolha dos Conselhos Evangélicos é uma consequência agradecida do encontro com o Amor. Nesse terreno fértil germinaram e floresceram incontáveis obras de misericórdia sem as quais a Igreja não cumpriria sua missão (cf. Vita Consecrata 3).
Num tempo em que se fala tanto da falta de referenciais, de impressionante superficialidade, de subjetivismo, das
numerosas “sombras de um mundo fechado” (Fratelli Tutti 9ss), a Vida Consagrada há de dar, por vocação e carisma, com entusiasmo ainda maior, um luminoso testemunho da certeza do Amor do Pai revelado em Cristo Jesus.
E o que dizer, então, da importância deste testemunho quando as seguranças da humanidade se abalam, quando as
poderosas máquinas de guerra se revelam nulas, derrubando de seus tronos e pondo de joelhos até mesmo “os mais poderosos da terra”?
É significativo que na oportunidade desse Jubileu de Prata esteja tão evidente a necessidade da presença iluminadora da Vida Consagrada na Igreja e no mundo. É o Amor do Pai que faz despertar a consciência dessa necessidade para que a própria Vida Consagrada seja redescoberta por ela mesma, pela Igreja e pelo mundo. Por isso ela “é um dom do Pai, por meio do Espírito” (Vita Consecrata 1).
O mundo, a sociedade, as comunidades, as famílias, as pessoas necessitam de Luz. Jesus é a Luz do Mundo
precisamente porque dá testemunho do Pai. Na Liturgia da Festa da Apresentação do Senhor a Vida Consagrada encontra inspiração para aperceber-se vocacionada a ser Luz, testemunhando a certeza do Amor Fiel e Providente do Pai.
Jubileu é ação de graças, é alegria, é renascimento, é nova oportunidade, é recomeço porque, olhando o passado, há
tanto que agradecer, vendo o presente, há tanto que abraçar e, vislumbrando o futuro, há uma missão que chama.
Deus seja louvado pelas maravilhas que espalhou no mundo ao longo da história por meio dos Consagrados e
Consagradas. O Pai dê a cada um e a cada uma um coração cheio de paz e incendiado de ardor para iluminarem o mundo.

Dom João Francisco Salm
Presidente da Comissão Nacional dos Ministérios Ordenados e Vida Consagrada-CNBB

 

Texto: Cartilha para o 25º Dia da Vida Consagrada, produzida pela CMOVC-CNBB (Comissão para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada), CNISB (Conferência Nacional dos Institutos Seculares do Brasil), CRB (Conferência dos Religiosos do Brasil) e IPV (Instituto de Pastoral Vocacional).

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***Fabíola Lauton – Comunicação da Arquidiocese de Montes Claros
(38) 9 8423-8384 ou pelo e-mail: comunicacao@arquimoc.com

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