Às vésperas da ordenação presbiteral, o diácono Matheus Rodrigues Lopes recorda sua caminhada de fé, os desafios do discernimento vocacional e o desejo de oferecer a própria vida como dom e sacrifício a serviço do povo de Deus.
No próximo sábado, 31 de janeiro de 2026, às 9h, na Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, a Arquidiocese de Montes Claros celebrará a ordenação presbiteral do diácono Matheus Rodrigues Lopes, que escolheu como lema para este momento decisivo de sua vida o versículo da Carta aos Hebreus: “Para oferecer dons e sacrifícios” (Hb 5,1).
Uma história que nasce na vida concreta
Natural de Montes Claros, onde nasceu em 21 de julho de 1990, Matheus Rodrigues Lopes cresceu no bairro Alto São João, no seio de uma família simples e profundamente marcada pelos valores humanos e cristãos. Filho de José Ailton Lopes e Marlúcia Aparecida Rodrigues Veloso, é o caçula de quatro irmãos, todos homens, e tio de quatro sobrinhos.
Foi junto dos pais e da família que aprendeu as primeiras lições de fé, convivência e perseverança. Sua história vocacional não começa com algo extraordinário, mas com a vida cotidiana, vivida com autenticidade e aberta à ação de Deus — um traço que atravessa toda a sua caminhada.
A fé que foi sendo cultivada

Batizado no dia 6 de janeiro de 1991, solenidade da Epifania do Senhor, Matheus traz na própria data do batismo um sinal da manifestação de Deus em sua vida. Naquele dia, foi incorporado à Igreja pelas mãos de um parente próximo, o padre João Batista Lopes, primo de seu avô, em um contexto familiar que já revelava a fé como herança e caminho.
A iniciação cristã aconteceu na Igreja Matriz de São João Batista, onde realizou a catequese e recebeu os sacramentos da Primeira Confissão e da Primeira Comunhão, sob os cuidados pastorais de monsenhor Silvestre José de Melo. Na mesma comunidade, recebeu também o sacramento da Crisma, sendo confirmado na fé pelas mãos de dom Geraldo Majela de Castro, O. Praem.
Fotos: Registram a coroação, 1ª Eucaristia e Crisma na Paróquia João Batista. (Arquivo pessoal).
Paralelamente, sua trajetória escolar no Colégio Imaculada Conceição, da infância ao término do ensino médio, contribuiu de modo decisivo para sua formação humana e cristã, fortalecendo valores como responsabilidade, disciplina e sensibilidade ao sagrado.
Fotos: Registram formaturas no Colégio Imaculada Conceição. (Arquivo pessoal).
Como acontece com muitos jovens, a adolescência foi marcada por um período de distanciamento da vivência religiosa mais intensa. Ainda assim, a semente da fé permanecia lançada. Já na juventude, durante o curso de Engenharia de Produção, Deus voltou a se fazer perceber de maneira mais clara. Um convite simples, feito por uma colega de faculdade, para participar de um grupo de jovens na Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, tornou-se decisivo.
No Grupo de Jovens DDD, Matheus não apenas retomou a prática da fé, mas viveu um verdadeiro reencontro pessoal com Cristo, marcado pela experiência comunitária, pela oração e pela amizade.
“Encontrei amigos verdadeiros, que me levavam a Deus, e comecei a cultivar uma amizade mais próxima com Cristo.”
A partir dessa vivência, a fé deixou de ser apenas herança recebida e tornou-se escolha consciente. Inserido na vida comunitária e sustentado por vínculos fraternos, o chamado vocacional começou a amadurecer de forma silenciosa e gradual.
Fotos: Registros enviados pelos amigos do Grupo DDD.
O discernimento: entre o trabalho, a fé e o chamado
Formado em Engenharia de Produção, Matheus seguiu a vida profissional, trabalhou na indústria farmacêutica, namorou e chegou a considerar seriamente o matrimônio. Tudo indicava um caminho estável e bem definido. Ainda assim, no interior de sua vida de fé, algo mais profundo pedia escuta.

Nesse período, a vivência comunitária na Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e Todos os Santos foi determinante para o amadurecimento do discernimento vocacional. Ali, Matheus acompanhou de perto o ministério do padre Harlley Caldeirão Mourão, então pároco da comunidade e fundador do Grupo de Jovens DDD.
“Eu admirava muito a forma como o padre Harlley conduzia o ministério dele. A ação ministerial dele era algo que eu percebia que dava muito fruto, e eu via a vida que o seu ministério trazia para a comunidade.”
A experiência no grupo de jovens, unida a esse testemunho concreto de ministério fecundo, ajudou Matheus a compreender o sacerdócio não como um ideal distante, mas como uma missão viva, capaz de gerar vida e transformar realidades. Ao mesmo tempo, aproximou-se de uma espiritualidade marcada pela santificação da vida cotidiana, inspirada em São Josemaria Escrivá e no espírito do ora et labora da tradição beneditina.
O discernimento ganhou contornos mais concretos quando conheceu o padre Cléber, da Diocese de Bagé (RS). Com ele, viveu dois anos de acompanhamento vocacional intenso, morando na paróquia, partilhando a vida com outros jovens, dedicando-se ao estudo, à oração e também ao trabalho manual.
“Tudo isso foi me fazendo perceber o chamado de Deus de forma mais clara.”
Ao final desse processo, decidiu ingressar no Seminário Maior Imaculado Coração de Maria e retornar à Arquidiocese de Montes Claros para dar continuidade à formação sacerdotal.

Foto: Registra a Formatura de Teologia no Seminário Maior Imaculado Coração de Maria (Arquivo Laura Tupinambá)
Formação, pastoral e o amadurecimento do chamado

Ao longo da formação e, mais recentemente, no ministério diaconal, Matheus reconhece que a experiência pastoral foi decisiva para o amadurecimento de sua vocação. Atuou nas paróquias Nossa Senhora do Carmo e Santa Rita, em Montes Claros, e Santíssimo Coração de Jesus, em Coração de Jesus.
No último ano de formação, realizou estágio no Tribunal Eclesiástico, atuando como juiz-auditor em processos de nulidade matrimonial, experiência que o colocou em contato direto com histórias humanas marcadas por dor, esperança e busca de justiça.
Em 2 de agosto de 2025, foi ordenado diácono no Santuário Senhor do Bonfim, em Bocaiuva, pela imposição das mãos de dom José Carlos de Souza Campos. No mesmo ano, realizou estágio pastoral na Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, vivenciando de perto a dinâmica da Igreja-mãe da Arquidiocese.
“Mesmo diante das inúmeras atividades, voltar sempre para a pregação, o anúncio da Palavra e as obras de caridade é algo que nos marca profundamente.”
Um sacerdócio vivido como oferta
Ao olhar para a própria história, Matheus não se define por um modelo idealizado de sacerdote. Para ele, o essencial é a fidelidade à vontade de Deus.
“Um padre precisa ser o padre que Deus pede, onde quer que Ele o coloque.”
Reconhece que o sacerdócio é, por essência, sacrifício: uma entrega diária, silenciosa e concreta.
“Saberei que estarei cumprindo a vontade de Deus quanto mais eu puder sacrificar a mim mesmo, sacrificar o Matheus, para que apareça o Cristo.”
Aos jovens que sentem o chamado à vida sacerdotal, deixa uma mensagem marcada pela sinceridade de quem viveu o discernimento no meio da vida comum:
“Deus chama onde quer que estejamos. Ele pede de nós uma resposta. E eu não me arrependo de nada. Já valeu a pena.”
E conclui com confiança:
“Deus não nos desampara no nosso chamado.”
No dia 31 de janeiro de 2026, a Igreja de Montes Claros acolherá com alegria o “sim” definitivo de Matheus Rodrigues Lopes, confiando que, por meio de sua vida e ministério, muitos dons e sacrifícios serão oferecidos para a glória de Deus e o bem do seu povo.
Primícias sacerdotais
Após a ordenação presbiteral, o padre Matheus Rodrigues Lopes celebrará as primícias de seu ministério sacerdotal em comunidades que marcaram profundamente sua história de fé e vocação.
A Primeira Missa será celebrada no domingo, 1º de fevereiro, às 8h, na Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e Todos os Santos, sua paróquia de origem.
No mesmo dia, às 18h, presidirá a Santa Missa na Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, onde atua pastoralmente.
As primícias se estenderão ainda à Paróquia São João Batista, onde morou com a família e recebeu os primeiros sacramentos. A celebração acontecerá no dia 8 de fevereiro, às 19h.
Essas celebrações expressam o sentido profundo do lema escolhido para a ordenação presbiteral: “Para oferecer dons e sacrifícios” (Hb 5,1), sinal de uma vida inteiramente colocada a serviço de Deus e do seu povo.






























