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Na ordenação de Messias Pereira, dom José Carlos reflete sobre a proximidade com o bispo

A Arquidiocese de Montes Claros celebrou, na última sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026, a Ordenação Presbiteral do diácono Messias Pereira, em solene celebração realizada na Igreja Santa Rita de Cássia, em Ubaí/MG, sua terra natal. A Santa Missa foi presidida por dom José Carlos de Souza Campos, arcebispo metropolitano, e reuniu familiares, amigos, fiéis da comunidade local, além de diáconos e presbíteros de toda a Arquidiocese.

Messias é o segundo dos quatro diáconos que estão sendo ordenados presbíteros neste período na Igreja Particular de Montes Claros. Para marcar sua caminhada vocacional, escolheu como lema: “Para servir e dar a vida por muitos” (Mt 20,28) — palavras de Jesus que expressam o sentido profundo do ministério ordenado como doação, serviço e entrega.

Clique aqui e conheça a história vocacional de Pe. Messias

Acolhida solene e entrada pontifical

A celebração teve início com a Entrada Pontifical, momento solene que antecede o início da Santa Missa e marca a acolhida do bispo na igreja. Na porta da Igreja Santa Rita de Cássia, o pároco, padre Geraldo dos Santos Oliveira Dias, apresentou ao arcebispo e ao então diácono Messias o Crucifixo, que foi beijado por ambos, como sinal de fé, comunhão e compromisso com o serviço ao povo de Deus.

Em seguida, dom José Carlos aspergiu água benta sobre si e sobre os fiéis, recordando o Batismo e pedindo a bênção de Deus para todos os presentes. Após a entrada, o arcebispo, acompanhado de Messias e do pároco, dirigiu-se à Capela do Santíssimo Sacramento, onde realizaram um momento de adoração silenciosa, confiando a Deus a vida, a vocação e o ministério daquele que seria ordenado presbítero para a Arquidiocese de Montes Claros.

A entrada pontifical e a adoração ao Santíssimo Sacramento são gestos significativos que expressam a centralidade de Cristo e a comunhão eclesial nas celebrações solenes presididas pelo bispo.


O Rito de Ordenação Presbiteral

Após a Liturgia da Palavra, iniciou-se propriamente o Rito de Ordenação Presbiteral, coração da celebração.

Eleição do candidato

O reitor do Seminário Maior Imaculado Coração de Maria, padre Arley Humberto, chamou o ordenando com as palavras: “Queira aproximar-se o que vai ser ordenado presbítero”. Diante do bispo, Messias respondeu prontamente: “Presente”. Em seguida, o reitor pediu oficialmente ao arcebispo que ordenasse aquele irmão para o ministério presbiteral.

Interrogado sobre a dignidade do candidato, padre Arley declarou que, após ouvir o povo de Deus e os responsáveis pela formação, Messias foi considerado digno. Dom José Carlos, então, proclamou: “Com o auxílio de Deus e de Jesus Cristo, nosso Salvador, escolhemos este nosso irmão para a Ordem do presbiterado”, ao que todos responderam: “Graças a Deus”.

 


Homilia: Um caminho de meditação para o presbitério

Na homilia, dom José Carlos situou a ordenação de Messias dentro de um itinerário espiritual e formativo vivido pela Arquidiocese neste tempo de múltiplas ordenações. Segundo o arcebispo, trata-se de um caminho de reflexão sobre as quatro proximidades que devem marcar a vida e o ministério dos presbíteros, conforme indicadas pelo Papa Francisco. Na ordenação de Messias, foi aprofundada especialmente a segunda proximidade: a proximidade com o bispo.

“Convido-te, Messias, a servir e dar tua vida por muitos na proximidade com teu bispo”, afirmou dom José Carlos, destacando que esta relação não é apenas funcional ou administrativa, mas sacramental, vital e constitutiva do ministério presbiteral.

O sacerdócio de Cristo prolongado na Igreja

A partir da Carta aos Hebreus, proclamada na liturgia, o arcebispo apresentou uma profunda catequese sobre o sacerdócio de Cristo, único, definitivo e insubstituível, segundo a ordem de Melquisedec, e seu prolongamento na Igreja por meio do sacramento da Ordem, vivido em três graus: diaconato, presbiterato e episcopado.

Dom José Carlos recordou que, no presbítero, Cristo continua a agir na história, ensinando, santificando e pastoreando o povo de Deus. Ao presidir a Eucaristia e os sacramentos, o sacerdote age “na pessoa mesma de Cristo”, tornando atual e vivo o sacrifício redentor da nova e eterna aliança.

Nesse sentido, o presbitério não é uma realidade isolada, mas profundamente unida ao ministério do bispo, que é a expressão mais plena do sacerdócio de Cristo como Pastor primeiro e servidor da comunhão.

Um vínculo sacramental que gera comunhão

Ao recorrer à Tradição da Igreja, especialmente aos ensinamentos de Santo Inácio de Antioquia, dom José Carlos sublinhou que a relação entre bispo, presbíteros e diáconos deve ser marcada pela harmonia, unidade e corresponsabilidade, nunca pelo autoritarismo ou pela vaidade.

“O bispo fracassa quando não constrói comunhão”, afirmou, ressaltando que a unidade eclesial não significa uniformidade, mas respeito à diversidade dos carismas, diálogo sincero e construção de projetos comuns em vista do bem do povo de Deus.

Essa reflexão foi aprofundada à luz do Concílio Vaticano II, especialmente do decreto Presbyterorum ordinis, que completa 60 anos, e que afirma que nenhum presbítero realiza plenamente sua missão de forma isolada, mas sempre em comunhão com os demais presbíteros e sob a orientação do bispo.

Fraternidade presbiteral: dom a ser cultivado

Dom José Carlos também citou a recente Carta Apostólica do Papa Leão XIV, Uma fidelidade que gera futuro, recordando que a fraternidade presbiteral é um dom da graça da ordenação, e não apenas fruto do esforço humano.

Com palavras diretas e pastorais, o arcebispo reconheceu as fragilidades humanas que, por vezes, dificultam a comunhão: resistências à autoridade, distanciamentos, feridas e incompreensões. No entanto, exortou todo o clero a uma conversão permanente à escuta, ao diálogo, à proximidade e à amizade sacerdotal, lembrando que o povo percebe as divisões e sofre com elas.

Um ministério marcado pela unção e pelo serviço

Dirigindo-se diretamente a Messias, dom José Carlos destacou que a unção recebida na ordenação configura o novo presbítero a Cristo Servo, capacitando-o a fazer o bem, cuidar dos frágeis, curar feridas e lançar a boa semente do Reino, especialmente nas terras sertanejas da Arquidiocese.

Em sintonia com o lema escolhido, o arcebispo reforçou que o sacerdócio é chamado a ser vida doada, presença fecunda e sinal visível do Reino de Deus que cresce na história.

Ao final, dom José Carlos manifestou seu compromisso pessoal com a conversão pastoral e com a construção de uma proximidade cada vez maior com seus presbíteros e diáconos, afirmando o desejo de formar “um belo presbitério, um belo corpo clerical”, marcado pela comunhão, pela estima fraterna e pela unidade na missão.

Clique aqui e baixe a homilia de dom José Carlos na íntegra. 


Promessas sacerdotais e ladainha dos santos

Após a homilia, Messias respondeu publicamente às interrogações do bispo, assumindo os compromissos próprios do ministério presbiteral: fidelidade à missão, anúncio do Evangelho, celebração dos sacramentos, vida de oração e configuração a Cristo Sumo Sacerdote. A cada pergunta, respondeu com firmeza: “Quero”.

Em seguida, ajoelhado, colocou suas mãos entre as mãos do bispo e prometeu respeito e obediência ao bispo diocesano e aos seus legítimos superiores. Dom José Carlos concluiu: “Deus, que te inspirou este bom propósito, te conduza sempre mais à perfeição”.

Na sequência, foi entoada a Ladainha dos Santos. O eleito prostrou-se ao chão, em sinal de total entrega a Deus, enquanto o povo e o clero, de joelhos, invocavam a intercessão dos santos pela vida e missão do ordenando.


Imposição das mãos e prece de ordenação

No momento mais solene do rito, dom José Carlos impôs as mãos sobre a cabeça de Messias, seguido por todos os presbíteros presentes, em profundo silêncio. Em seguida, o arcebispo proclamou a Prece de Ordenação, pedindo a efusão do Espírito Santo e destacando o presbítero como colaborador do bispo, anunciador da Palavra, ministro dos sacramentos e pastor do povo.

Unção das mãos e entrega do pão e do vinho

Após a oração, Messias foi revestido com a estola sacerdotal e a casula, com o auxílio dos presbíteros por ele escolhidos: padre Geraldo dos Santos Oliveira Dias e padre Adão Pedro Soares Pereira.

De joelhos, teve as mãos ungidas com o óleo do Santo Crisma, enquanto o bispo rezava para que fosse guardado na santificação do povo fiel e na oferta do santo sacrifício. Suas mãos foram, então, amarradas e desamarradas por sua mãe, Maria José Pereira, e por seu irmão gêmeo, Moisés Pereira, momento marcado por forte emoção, no qual Messias recebeu sua primeira bênção sacerdotal.

Por fim, o bispo entregou ao novo presbítero o pão e o vinho, dizendo: “Recebe a oferenda do povo para apresentá-la a Deus. Toma consciência do que vais fazer e põe em prática o que vais celebrar, conformando tua vida ao mistério da cruz do Senhor”.

A celebração prosseguiu com a Liturgia Eucarística, agora com o recém-ordenado concelebrando pela primeira vez a Santa Missa junto ao arcebispo e ao presbitério.

A ordenação presbiteral de Messias Pereira torna-se, assim, não apenas um acontecimento vocacional, mas um sinal de esperança para a Igreja, chamada a crescer na fidelidade, no serviço e na comunhão, para que Cristo continue sendo anunciado, celebrado e vivido no coração do povo.

Abaixo confira a transmissão da Ordenação Presbiteral de Messias Pereira:

Fotos: Neto Roxo
Transmissão: Pascom Paróquia Santa Rita de Cássia em Ubaí.

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