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Coleta da Solidariedade: projeto garante acesso à água em comunidade rural de Cafundó

No próximo Domingo de Ramos, dias 28 e 29 de março, fiéis de todo o Brasil são convidados a participar da Coleta Nacional da Solidariedade, gesto concreto da Campanha da Fraternidade 2026, que neste ano traz como tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). Mais do que uma contribuição financeira, a coleta é expressão de fé vivida na caridade — uma oportunidade de transformar oração, jejum e penitência em ações concretas que promovem dignidade e esperança.

Na Arquidiocese de Montes Claros, essa solidariedade tem destino certo e impacto real. Do total arrecadado, 60% permanecem na própria Igreja particular, constituindo o Fundo Diocesano de Solidariedade (FDS), que apoia iniciativas locais. Os outros 40% são destinados ao Fundo Nacional de Solidariedade (FNS), responsável por financiar projetos em diversas regiões do país.

É justamente por meio do Fundo Diocesano de Solidariedade que projetos transformadores ganham vida — como o que vem mudando a realidade da Comunidade Geraizeira de Cafundó, no Vale das Cancelas, Norte de Minas Gerais.

Água que sustenta a vida e a esperança

A reconstrução de uma caixa d’água com capacidade para 50 mil litros tornou-se um marco para a comunidade, que por muitos anos enfrentou dificuldades no acesso à água potável. A antiga estrutura já não oferecia segurança, comprometendo o abastecimento e gerando incerteza no dia a dia das famílias.

A obra foi realizada em mutirão pelos próprios moradores, com apoio do Fundo Diocesano de Solidariedade, e hoje garante abastecimento contínuo e mais seguro, com impactos diretos na vida cotidiana.

A mudança é sentida de forma concreta. “Antes a gente vivia com medo de faltar água. Tinha dia que não dava nem pra fazer comida direito. Agora, com essa caixa nova, a gente tem segurança. Dá pra cuidar da horta, dos animais e da família”, relata Dona Maria de seu Generindo, agricultora e moradora da comunidade há mais de 30 anos.

Geraizeira Marlene Ribeiro de Souza.

Inserida no território geraizeiro, Cafundó vive da agricultura familiar e da agroecologia. A água garante o consumo das famílias, fortalece os quintais produtivos, amplia a produção agroecológica e possibilita a geração de renda por meio da comercialização dos alimentos na feira do Vale das Cancelas. Além disso, sustenta a criação de animais e a continuidade das práticas tradicionais que preservam a identidade da comunidade.

“Essa água é tudo pra nós. Sem ela, não tem produção, não tem vida. Com essa caixa, a gente pode plantar mais, vender na feira e garantir o sustento”, afirma Marlene, produtora de mandioca, feijão e hortaliças.

Mais do que resolver um problema estrutural, a nova caixa d’água devolve dignidade à comunidade. “A água aqui sempre foi uma luta. Ver essa caixa pronta é uma vitória da comunidade. É mais dignidade pra gente”, destaca Seu Nicanor, liderança geraizeira.

Para os moradores, a conquista representa segurança e novas perspectivas. A realidade de incerteza, antes marcada pelo medo constante da falta de água, dá lugar à esperança. “A gente sempre soube que a água é um direito, mas nem sempre teve acesso. Agora, com essa estrutura, a gente sente que estão olhando pra gente”, completa Nenzão, membro do Conselho Geraizeiro.

Solidariedade que transforma

A experiência da Comunidade de Cafundó demonstra, de forma concreta, o alcance da Coleta da Solidariedade. Em 2025, na Arquidiocese de Montes Claros, foram arrecadados R$ 116.598,58, dos quais R$ 69.959,15 permaneceram no Fundo Diocesano de Solidariedade, possibilitando o apoio a diversos projetos sociais, entre eles a reconstrução da caixa d’água na comunidade.

Em nível nacional, os recursos também geraram grande impacto, com centenas de projetos apoiados e milhares de pessoas beneficiadas em todo o Brasil.

A história de Cafundó é um testemunho de que a partilha se transforma em ações concretas. Ao participar da Coleta da Solidariedade neste Domingo de Ramos, cada fiel contribui diretamente para iniciativas que promovem vida, dignidade e esperança, especialmente junto às comunidades mais vulneráveis.

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