A Catedral Metropolitana de Montes Claros reuniu, na noite do Domingo de Páscoa, 5 de abril de 2026, inúmeros fiéis para a celebração da Ressurreição do Senhor. Na homilia, o arcebispo Dom José Carlos de Souza Campos conduziu uma profunda reflexão sobre o sentido central da fé cristã, destacando que a Páscoa exige um olhar que vá além das aparências e alcance o mistério da vida nova em Cristo.
Inspirando-se no relato do Evangelho, Dom José iniciou sua meditação a partir da experiência de Maria Madalena, que, ao encontrar o túmulo vazio na madrugada do primeiro dia da semana, expressa a inquietação humana diante do desconhecido: “Tiraram o Senhor do túmulo e não sabemos onde o colocaram”. Segundo o arcebispo, essa frase revela não apenas uma ausência, mas uma provocação à fé.
A partir dessa cena, ele destacou dois modos distintos de olhar para o túmulo vazio. De um lado, o olhar de São Pedro, que entra no sepulcro, observa os sinais — as faixas de linho e o pano dobrado —, mas ainda não alcança plenamente o sentido da Ressurreição. Trata-se de uma fé em caminho, marcada por limites, dúvidas e incompreensões.
De outro lado, o arcebispo apresentou o olhar do Discípulo Amado, aquele que, ao entrar no túmulo, “viu e creu”. Para Dom José, este é o olhar pascal por excelência: um olhar que ultrapassa o visível, reconhecendo no vazio do túmulo o sinal da presença viva de Cristo ressuscitado. “O nosso olhar não pode ser o de quem apenas constata a ausência, mas o de quem reconhece a presença nova do Senhor”, afirmou.
Ao aprofundar essa reflexão, Dom José recordou que a Ressurreição de Jesus não é apenas um acontecimento do passado, mas o fundamento de toda a fé cristã. Citando a tradição apostólica, enfatizou:
“Se Cristo não ressuscitou, a nossa fé é vazia”. Por isso, reafirmou com vigor o núcleo essencial da fé: Jesus Cristo, Filho de Deus, morreu e ressuscitou. “Aqui está tudo. Tudo o que somos e tudo o que cremos brota desta verdade”, destacou.
A homilia também evidenciou a dimensão missionária da fé. Segundo o arcebispo, aquilo que os primeiros discípulos testemunharam — desde Maria Madalena, chamada pela tradição de “apóstola dos apóstolos”, até os demais seguidores de Jesus — chegou até os dias de hoje por meio da transmissão fiel desse anúncio. “A fé se transmite quando alguém crê, testemunha e anuncia. Foi assim que ela nos alcançou”, afirmou.
Dom José ressaltou ainda que a fé autêntica conduz necessariamente à vida sacramental. Os sacramentos, explicou, não são apenas ritos, mas expressão concreta da fé e meios pelos quais Deus sustenta o seu povo. “Quem crê, busca os sacramentos. E quem vive os sacramentos tem a sua fé alimentada, fortalecida e renovada”, disse.
Nesse contexto, destacou a beleza dos sacramentos da iniciação cristã — Batismo, Crisma e Eucaristia — como participação real na vida de Cristo. Pelo Batismo, o cristão é ungido com o Espírito Santo e chamado a uma vida nova; pela Crisma, é fortalecido na missão; e pela Eucaristia, alimenta-se do próprio Cristo para configurar-se a Ele. “Nós o recebemos e Ele nos transforma nele”, explicou.
A celebração ganhou um significado ainda mais especial com a participação de dezoito fiéis que receberam, pela primeira vez, o sacramento da Eucaristia. Dom José destacou esse momento como sinal concreto de que a fé continua a alcançar novos corações. “A decisão de vocês será testemunho para muitos outros. A fé cresce quando é vivida e partilhada”, afirmou.
Retomando a pregação de São Paulo Apóstolo, proclamada na liturgia, o arcebispo recordou que os cristãos, ressuscitados com Cristo, são chamados a buscar “as coisas do alto” e a viver de acordo com essa nova realidade. Ele também ressaltou que, pelo Batismo, todos recebem o Espírito Santo e são enviados a continuar a missão de Jesus: “passar por toda parte fazendo o bem”.
Em um tom pastoral e próximo, Dom José reconheceu que a fé dos cristãos muitas vezes se assemelha à de Pedro: uma fé que oscila, que enfrenta dúvidas, mas que persevera. “Não precisamos ter uma fé perfeita, mas uma fé que não desiste, que continua no caminho e se deixa alimentar pelos meios que Deus nos oferece”, encorajou.
Ao concluir, o arcebispo dirigiu uma mensagem de esperança a toda a assembleia, convidando os fiéis a viverem a Páscoa como um verdadeiro recomeço.
“Que a Páscoa seja renovação da fé, retomada do caminho e compromisso com o testemunho. Que seja também seriedade na transmissão da fé e fidelidade na vivência dos sacramentos”, exortou.
A celebração pascal na Catedral reafirmou, assim, o coração da experiência cristã: diante do túmulo vazio, a Igreja não vê ausência, mas proclama a vida nova que transforma a história. Cristo ressuscitou — e com Ele, renasce a esperança para toda a humanidade.
Confira abaixo a Santa Missa na íntegra:





