O arcebispo metropolitano de Montes Claros, dom José Carlos de Souza Campos, participou, entre os dias 16 e 18 de junho, em Brasília (DF), da 119ª Reunião do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Dom José Carlos integra o encontro na condição de presidente do Regional Leste 2 da CNBB, que reúne os estados de Minas Gerais e Espírito Santo.
Também esteve presente na reunião a leiga da Arquidiocese de Montes Claros Sônia Gomes de Oliveira, que atualmente exerce a missão de presidente do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB), organismo que representa e articula a presença e a atuação dos leigos e leigas na vida e na missão da Igreja no país.
A reunião aconteceu na sede da Conferência e reuniu a presidência da CNBB, os bispos presidentes das Comissões Episcopais, representantes dos regionais, pastorais e organismos eclesiais para refletir sobre temas ligados à evangelização, à realidade social brasileira e aos caminhos pastorais da Igreja no Brasil.
A participação de representantes da Arquidiocese de Montes Claros em espaços nacionais de discernimento e comunhão evidencia a contribuição da Igreja Particular de Montes Claros na construção dos processos evangelizadores e no fortalecimento da missão da Igreja em âmbito nacional.
Entre os principais momentos do encontro esteve o lançamento oficial das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) 2026–2032, documento que irá orientar a missão evangelizadora da Igreja brasileira nos próximos seis anos.
Primeiro dia: análise da realidade social e eclesial do Brasil
A programação foi iniciada na terça-feira, 16 de junho, com a apresentação da análise de conjuntura social, conduzida pelo bispo de Carolina (MA) e coordenador do Grupo de Análise de Conjuntura Padre Tierry Linardi, dom Francisco Lima.
O estudo aprofundou o cenário brasileiro diante do processo eleitoral de 2026 e apresentou aos bispos elementos para compreender os desafios atuais da sociedade. Entre os temas abordados estiveram o fortalecimento da democracia, a polarização política, as mudanças provocadas pela revolução tecnológica, os desafios econômicos e a necessidade de fortalecer uma cultura do diálogo e da participação cidadã.
Também foram apresentados elementos do contexto internacional, incluindo mudanças nos centros globais de poder, conflitos internacionais e seus impactos sobre a realidade brasileira.
Ao concluir sua exposição, dom Francisco ressaltou que uma sociedade democrática se constrói na convivência entre diferenças, sustentada pelo respeito às instituições, pela dignidade humana e pelo compromisso com o bem comum, em sintonia com a Doutrina Social da Igreja.
Ainda durante o primeiro dia, os membros do Conselho Permanente acompanharam a apresentação da análise de conjuntura eclesial, que trouxe um dado significativo para a vida da Igreja no Brasil: em 2026, 35.606 adultos receberam os sacramentos da iniciação cristã, especialmente o Batismo e a Crisma.
A pesquisa, realizada pelo Instituto Nacional de Pastoral Padre Alberto Antoniazzi (Inapaz), identificou um crescimento da presença de adultos nos processos catequéticos e apontou transformações importantes na transmissão da fé.
Entre as conclusões apresentadas, destacou-se o aumento de pessoas que procuram livremente a experiência cristã, marcando uma passagem de uma fé recebida culturalmente para uma fé assumida como escolha pessoal e caminho de discipulado missionário.
Outro momento importante da manhã foi a apresentação dos resultados da Pesquisa Nacional Evangelização da Juventude no Brasil – 2025, promovida pela Comissão Episcopal para a Juventude da CNBB.
O levantamento ouviu 11.498 jovens de todo o país e trouxe elementos importantes sobre espiritualidade, saúde emocional, relação com as redes sociais, participação eclesial e projeto de vida.
Os dados mostraram que a espiritualidade permanece como importante fator de esperança e resiliência para os jovens, reforçando o papel evangelizador da Igreja junto às novas gerações.
O dia foi concluído com a avaliação da 62ª Assembleia Geral da CNBB e reuniões internas dos bispos.
Segundo dia: evangelização, missão e lançamento das novas Diretrizes da Igreja no Brasil
Na quarta-feira, 17 de junho, os trabalhos concentraram-se em temas diretamente ligados à ação evangelizadora da Igreja.
Entre os destaques esteve a apresentação da proposta de criação de um Grupo de Trabalho sobre Inteligência Artificial e Tecnologias Emergentes, iniciativa que pretende ajudar a Igreja a refletir sobre os impactos da cultura algorítmica na evangelização, nas relações humanas e na missão.
A proposta reconhece que a inteligência artificial ultrapassa o campo tecnológico e se apresenta como uma nova realidade cultural que exige discernimento pastoral e presença missionária.
Também foram apresentados os preparativos para a Campanha da Fraternidade 2027, que terá como tema “Fraternidade e o Cuidado das Crianças” e lema “Quem recebe uma criança, a mim recebe”.
Outro tema importante foi o Ano Missionário Nacional, aprovado pela Assembleia Geral da CNBB e que preparará a Igreja no Brasil para o 7º Congresso Americano Missionário (CAM 7).
Durante o encontro, os regionais da CNBB também partilharam iniciativas evangelizadoras desenvolvidas em diferentes partes do país, fortalecendo a comunhão e o intercâmbio missionário entre as Igrejas particulares.
Lançamento das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora (DGAE 2026–2032)
Um dos momentos mais significativos da reunião aconteceu na noite de quarta-feira com o lançamento oficial das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE 2026–2032) — Documento 114 da CNBB.
Fruto de mais de três anos de escuta, discernimento e participação eclesial, o texto orientará a missão evangelizadora da Igreja no Brasil nos próximos seis anos.
Ao apresentar o documento, o presidente da CNBB, cardeal dom Jaime Spengler, destacou que as Diretrizes representam um compromisso renovado com a esperança, a justiça, o cuidado com a vida e a missão evangelizadora.
Dom Leomar Antônio Brustolin, presidente da comissão responsável pela elaboração do texto, ressaltou que o documento nasceu de uma experiência profundamente sinodal e foi construído a partir do diálogo com as diversas expressões da Igreja.
As Diretrizes estão organizadas em cinco grandes caminhos pastorais:
- Animação Bíblica da Vida e da Pastoral;
- Iniciação à Vida Cristã;
- Comunidade de Discípulos Missionários;
- Liturgia e Piedade Popular;
- Serviço à Vida Plena.
Inspiradas na imagem bíblica da tenda (Is 54,2), as novas Diretrizes propõem uma Igreja mais missionária, acolhedora, participativa e próxima das realidades humanas.
Terceiro dia: partilha dos regionais, planejamento da Igreja no Brasil e preparação para o Congresso Eucarístico Nacional
A 119ª Reunião do Conselho Permanente da CNBB foi concluída na manhã desta quinta-feira, 18 de junho, com os últimos momentos de partilha, avaliação e encaminhamentos para a caminhada da Igreja no Brasil.
Durante as duas sessões finais do encontro, os bispos representantes dos Regionais da CNBB apresentaram ações pastorais, iniciativas evangelizadoras e eventos realizados em suas Igrejas particulares, fortalecendo a comunhão e o intercâmbio de experiências entre as diferentes realidades eclesiais do país.
Entre os principais pontos destacados para os próximos meses está o processo de recepção e implementação das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE 2026–2032). Os regionais deverão promover assembleias, encontros de formação e momentos de reflexão para aprofundar o conteúdo do Documento 114 da CNBB, recentemente lançado durante esta reunião do Conselho Permanente.
Para a Arquidiocese de Montes Claros, representada no encontro por dom José Carlos de Souza Campos, presidente do Regional Leste 2 da CNBB, este momento marca também o início de um novo ciclo pastoral para as Igrejas particulares, chamado a fortalecer uma evangelização cada vez mais missionária, sinodal e próxima das realidades humanas.
Também participou da reunião a leiga da Arquidiocese de Montes Claros Sônia Gomes de Oliveira, presidente do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB), reforçando a presença da Igreja Particular de Montes Claros nos espaços de comunhão, discernimento e corresponsabilidade eclesial em âmbito nacional.
Ainda na manhã de encerramento, os bispos acompanharam a apresentação do relatório financeiro da CNBB, conduzida pelo ecônomo da Conferência, padre Felipe Lima, além das partilhas dos organismos eclesiais e da definição do calendário de reuniões e encontros da entidade para o próximo ano.
Outro destaque foi o informe sobre o 19º Congresso Eucarístico Nacional, que será realizado entre os dias 3 e 7 de setembro de 2027, em Goiânia (GO).
O arcebispo de Goiânia, dom João Justino de Medeiros Silva, apresentou os preparativos que já vêm sendo desenvolvidos pela arquidiocese anfitriã e destacou o convite dirigido ao Papa Leão XIV para participar do evento.
Com o tema “Hóstias vivas, no mundo, para a glória do Pai”, o Congresso Eucarístico Nacional pretende reunir fiéis de todo o país em torno da centralidade da Eucaristia e do compromisso missionário da Igreja.
Ao final da reunião, houve um momento de homenagem ao padre André Luís do Vale, que concluiu seu mandato de quatro anos à frente da Comissão Nacional dos Presbíteros (CNP).
O presidente da CNBB, cardeal dom Jaime Spengler, agradeceu ao sacerdote pelo serviço prestado à Igreja e desejou que sua dedicação fosse recompensada “com a medida do Evangelho: cem vezes mais”.
Em agradecimento, padre André definiu os anos à frente do organismo como um tempo de grande aprendizado e experiência de comunhão eclesial, destacando a riqueza de acompanhar de perto os trabalhos da Conferência Episcopal.
Com o encerramento da reunião, a Igreja no Brasil segue agora para um novo momento de aprofundamento e aplicação das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora, fortalecendo o compromisso missionário, a comunhão e a presença evangelizadora junto ao povo de Deus.
Fotos: CNBB Nacional











