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Arquidiocese e Carmelo de Montes Claros iniciam oficialmente a causa de beatificação da Serva de Deus Madre Maria Angélica da Eucaristia

“A santidade é para todos.” Com esta afirmação, Dom José Carlos de Souza Campos deu início, na manhã deste domingo (5), à celebração que marcou a abertura oficial do processo diocesano de beatificação da Serva de Deus Madre Maria Angélica da Eucaristia. A Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida reuniu fiéis, religiosos, sacerdotes, familiares e amigos da madre fundadora do Carmelo Maria Mãe da Igreja e Paulo VI para um momento histórico na vida da Arquidiocese de Montes Claros.

Ao acolher a assembleia, o arcebispo destacou que o dia representava o início de um caminho importante para a Igreja Particular de Montes Claros. “Hoje é domingo, dia do Senhor, dia da Eucaristia. Dia de iniciarmos um caminho importante e bonito para a nossa Igreja local”, afirmou.

Dom José Carlos ressaltou que o processo de beatificação é, antes de tudo, um convite para que toda a Igreja contemple o testemunho de vida da Serva de Deus e reconheça, em sua trajetória, o chamado universal à santidade. “Vamos visitar a vida, a história, o caminho percorrido por um membro da nossa Igreja, Madre Angélica da Eucaristia. E na vida dela queremos enxergar os traços que devem estar na vida de todos. A santidade é para todos”, destacou.

Recordando que a celebração acontecia no contexto do Dia do Senhor e da Eucaristia, o arcebispo também enfatizou que “a santidade é resultado de conversão”, convidando toda a comunidade a viver este caminho de renovação espiritual.

Em sua saudação inicial, Dom José Carlos acolheu com especial alegria as monjas carmelitas presentes, tanto do Carmelo Maria Mãe da Igreja e Paulo VI quanto de outros Carmelos, além dos frades carmelitas, religiosos, familiares e amigos da Madre Angélica. “Queira Deus nos leve a uma conclusão feliz de que, de fato, alguém fez história de santidade no meio de nós”, afirmou, antes de dar início à celebração eucarística.

Homilia: Quatro marcas de uma vida santa

Após ser apresentado por Dom José Carlos de Souza Campos, que destacou sua profunda experiência na espiritualidade carmelitana e o fato de ter convivido pessoalmente com a Madre Maria Angélica desde 1974, Frei Patrício Sciadini, OCD, iniciou sua homilia afirmando a alegria de participar daquele momento histórico para a Arquidiocese de Montes Claros e para o Carmelo.

“É um momento de grande alegria que eu tenho no coração, porque acompanhei e caminhei com a irmã Angélica desde 1974. Hoje nós somos felizes por este momento histórico para começar este caminho de santidade”, afirmou o carmelita, recordando sua convivência com a religiosa.

Refletindo sobre o Evangelho do dia, Frei Patrício apresentou quatro características que marcaram a vida da Madre Maria Angélica. A primeira delas foi seu profundo amor a Deus. Segundo ele, toda a sua existência foi dedicada ao Senhor e ao anúncio de um Deus próximo, presente no coração de cada pessoa.

“O seu coração sempre foi um coração inflamado deste amor de Deus. Por isso doou toda a sua vida a Deus. Quando ela falava, sempre falava de Deus. Sempre ajudava as pessoas a encontrar-se com Deus. Não um Deus distante, mas um Deus perto; não um Deus que está fora de nós, mas um Deus que está dentro de nós.”

O frei destacou ainda que Madre Maria Angélica transmitia mais do que conhecimentos teológicos. Seu testemunho revelava uma profunda experiência de Deus, vivida com serenidade, alegria e simplicidade. “Ela era uma pessoa feliz, serena, transparente. Quando você falava com ela, ela transmitia o conhecimento de Deus.”

Em seguida, ressaltou seu amor à Igreja. Recordou que a religiosa viveu sempre em comunhão com o Papa, com os bispos e com toda a Igreja, compreendendo que o caminho da santidade passa necessariamente pela vida eclesial.

“Se você quer ser santo, esse mistério de Deus é na Igreja. Ela caminhou sempre com a Igreja, sempre na escuta da palavra do Papa, sempre na escuta da palavra do arcebispo, sempre na escuta da Igreja.”

Frei Patrício também evidenciou o amor da Madre Maria Angélica pelo Carmelo e seu espírito missionário. Lembrou que ela desejava ver a espiritualidade carmelitana crescer, enviando irmãs para novas fundações no Brasil e em outros países, demonstrando uma visão de Igreja aberta ao mundo.

“Nós não podemos ser preocupados somente daquilo que é nosso pequeno mundinho. Devemos ter o olhar de Cristo, que vê toda a humanidade.”

Ainda nesse contexto, destacou o carinho especial da Madre pelos sacerdotes e a importância da oração por eles. “Ela dizia que a oração das Carmelitas sustenta o sacerdote”, recordou, ressaltando que a santidade dos presbíteros fortalece toda a vida da Igreja.

Outro aspecto marcante foi o amor da Madre pelo povo. Frei Patrício lembrou que inúmeras pessoas procuravam o Carmelo em busca de acolhida, conselho e oração, encontrando nela alguém capaz de escutar com verdadeira compaixão.

“Ela tinha o dom da escuta. Tinha o dom de participar do sofrimento dos outros, de não se cansar de escutar. Hoje nós precisamos escutar com amor. A escuta é gratuita.”

Dirigindo-se aos fiéis, o carmelita afirmou que a abertura da causa de beatificação deve produzir frutos concretos na vida de cada cristão. Mais do que celebrar uma solenidade, é preciso assumir o compromisso de viver a santidade no cotidiano.

“O importante não é a festa. O importante é o que vem depois da festa. Que hoje cada um de nós saia daqui dizendo: quero ser santo, quero ser diferente, quero ser bom.”

Inspirado pela exortação Gaudete et Exsultate, do Papa Francisco, explicou que a santidade não consiste em realizar feitos extraordinários, mas em viver o Evangelho nas pequenas atitudes de cada dia.

“Santidade não é fazer milagre. Santidade não é fazer coisas grandes. É viver uma vida de comunhão, de fraternidade. A santidade não é fazer, é viver. A proclamação do Evangelho não são palavras, é vida.”

Ao concluir sua homilia, Frei Patrício convidou toda a Arquidiocese a recorrer à intercessão da Madre Maria Angélica, incentivando os fiéis a pedirem sua ajuda e seguirem seu exemplo de fidelidade a Deus.

“Não é importante saber o que ela fez. O importante é saber como viveu. Ela conseguiu fazer do Carmelo um refúgio para todas as pessoas, uma casa onde todos encontravam paz, alegria e amor.”

Ao final da celebração eucarística, antes da bênção, Dom José Carlos convidou os fiéis a permanecerem na Catedral Metropolitana para acompanhar o Rito de Instalação do Tribunal da Causa de Beatificação e Canonização da Serva de Deus Madre Maria Angélica da Eucaristia, ato jurídico que marca oficialmente o início da fase diocesana do processo.

O arcebispo explicou que, após a Missa, o presbitério seria preparado para a instalação do tribunal e convidou os presentes a participarem desse momento: “Convido os que possam ficar para participarem também desta sessão, desse ato jurídico que instala o Tribunal da Causa.”

Antes da bênção final, toda a assembleia rezou a oração oficial pelo bom êxito da causa de beatificação, pedindo a Deus que conduzisse os trabalhos do processo e iluminasse todos os que atuarão na investigação.

Em seguida, Dom José Carlos agradeceu a presença dos fiéis, religiosos, religiosas, familiares e amigos que vieram de perto e de longe para participar da celebração. Ao recordar o significado daquele momento para a Igreja, afirmou: “Por causa d’Ele estamos aqui; por causa d’Ele Angélica fez um caminho no meio de nós; por causa d’Ele nós somos chamados a ser santos para um dia estar com Ele.” E concluiu reforçando o chamado universal à santidade: “A santidade é vocação universal, é vocação de todos. Somos o que somos para que sejamos santos e um dia vejamos a Deus no céu.”

Após a bênção final, os fiéis que permaneceram na Catedral acompanharam a preparação do presbitério para o início do ato jurídico de instalação do Tribunal da Causa de Beatificação e Canonização.

Instalação do Tribunal marca o início da fase diocesana da causa

Concluída a celebração eucarística, teve início na Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida o ato jurídico de Constituição do Tribunal da Causa de Beatificação e Canonização da Serva de Deus Madre Maria Angélica da Eucaristia, marco que deu início oficial à fase diocesana do processo.

Ao abrir a sessão, Dom José Carlos convidou todos os presentes a se colocarem novamente na presença de Deus e a invocarem o Espírito Santo, pedindo sua luz para os trabalhos que seriam iniciados.

“Nas coisas de Deus e nas causas que dizem respeito a Deus, o Espírito nos conduz bem”, afirmou o arcebispo antes do canto do Veni Creator Spiritus, entoado pelas monjas carmelitas.

Em seguida, foi constituída a mesa dos trabalhos, com a apresentação dos membros do Tribunal nomeados para conduzir a causa. Foram chamados o Padre Gladysson Eduardo de Miranda Assis, delegado episcopal; o Cônego Carlos Henrique Moreira de Souza, promotor de justiça; o Dr. Ronaldo Brigini, notário atuário; a Dra. Analícia Ferreira, notária adjunta; e o Dr. Paolo Vilotta, vice-postulador da causa. Também foram apresentados os integrantes da Comissão Histórica, além da priora do Carmelo Maria Mãe da Igreja e Paulo VI, Madre Elisabeth, da Irmã Maristela e do Frei Patrício Sciadini, OCD.

Durante a sessão, foi apresentada uma síntese da vida da Serva de Deus Madre Maria Angélica da Eucaristia, recordando sua vocação religiosa, a fundação do Carmelo de Montes Claros, sua dedicação à formação das religiosas, às novas fundações da Ordem e o testemunho de santidade que permanece vivo entre aqueles que a conheceram.

Na sequência, foi lido o escrito do Dicastério para as Causas dos Santos, por meio do qual a Santa Sé concedeu o nihil obstat, declarando não haver impedimento para o início da causa de beatificação e canonização, conforme comunicado encaminhado ao arcebispo de Montes Claros.

Com a leitura do decreto arquiepiscopal, Dom José Carlos confirmou oficialmente a constituição do Tribunal responsável pela condução da fase diocesana da causa. Os membros nomeados aceitaram seus encargos e prestaram o juramento previsto pela legislação canônica, comprometendo-se a exercer suas funções com fidelidade, diligência e sigilo.

O vice-postulador entregou ainda a relação inicial das testemunhas que serão ouvidas ao longo da investigação. Caberá ao Tribunal colher depoimentos, reunir documentos, escritos e demais elementos que possam contribuir para demonstrar a vida, as virtudes heroicas e a fama de santidade da Serva de Deus.

Ao concluir a sessão, Dom José Carlos recordou que a abertura da causa não representa uma conclusão antecipada do processo, mas o início de uma investigação conduzida com rigor pela Igreja.

“Estamos iniciando uma causa. Todos que conheceram e conviveram com Madre Angélica sabem da sua vida, das suas virtudes e até da sua fama de santidade. O que nós queremos é mostrar para todos e para o mundo que isto é verdade, e isso vai se fazer ao longo do processo.”

O arcebispo explicou ainda que a missão do Tribunal será reunir, de forma criteriosa, testemunhos, documentos e demais elementos que permitam à Igreja reconhecer, se assim for comprovado, o caminho de santidade vivido pela Serva de Deus.

“Estamos no tempo de encontrar elementos, motivos, argumentos, fatos e sinais que nos façam entender que Madre Maria Angélica da Eucaristia é, de fato, alguém que fez um caminho de santidade no meio de nós.”

Com a instalação do Tribunal, a Arquidiocese de Montes Claros inicia oficialmente a fase diocesana da causa, durante a qual serão ouvidas testemunhas, analisados os escritos da Serva de Deus e reunidas todas as provas que, posteriormente, serão encaminhadas ao Dicastério para as Causas dos Santos, em Roma, responsável pela continuidade do processo.

Fotos: Laura Tupinambá

Confira a transmissão da missa e da abertura:

Transmissão: Pascom Catedral

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