
Após o momento de acolhida, animação e oração que reuniu milhares de pessoas no Parque de Exposições João Alencar Athayde, a Igreja de Montes Claros viveu o ponto central da Solenidade de Corpus Christi: a celebração da Santa Missa, memorial da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo e fonte da vida da Igreja.
Antes do início da celebração eucarística, um dos momentos mais emocionantes da noite foi a entrada da imagem de Maria, Mãe de Deus e da Igreja, padroeira principal da Arquidiocese de Montes Claros. Em seguida, foi realizado um momento especial de oração e consagração à Virgem Maria, confiando à sua intercessão toda a Igreja Particular de Montes Claros, os fiéis presentes e suas intenções.
A beleza e a solenidade da celebração também foram marcadas pelos cantos do Coro Arquidiocesano e dos Arautos do Evangelho. Com um repertório litúrgico cuidadosamente preparado para a Solenidade de Corpus Christi, os músicos e cantores conduziram a assembleia à oração e ajudaram a expressar, por meio da música sacra, a fé da Igreja reunida ao redor da Eucaristia.
A Santa Missa foi presidida pelo arcebispo metropolitano, Dom José Carlos de Souza Campos, e concelebrada pelos padres das paróquias de Montes Claros e também por sacerdotes de outras cidades pertencentes à Arquidiocese. Auxiliaram ainda diáconos permanentes, seminaristas, religiosos, religiosas e centenas de ministros extraordinários da Sagrada Comunhão Eucarística.
Em um cenário marcado pela fé e pela expressiva participação do povo de Deus, Dom José Carlos manifestou sua gratidão pela presença das milhares de pessoas que lotaram o parque e dirigiu uma saudação especial aos sacerdotes.
“A mesma noite em que o Senhor Jesus instituiu a Eucaristia, também quis instituir o ministério para aqueles que, em seu nome, continuam celebrando este memorial”, afirmou o arcebispo, convidando os fiéis a uma calorosa salva de palmas para os presbíteros presentes.
O arcebispo também saudou diáconos, seminaristas, religiosos, religiosas, ministros extraordinários da Comunhão, autoridades civis, militares e políticas, além de todos os fiéis que deixaram suas casas para participar da celebração.
“Comer, adorar e ser”
Em sua homilia, Dom José Carlos de Souza Campos conduziu os milhares de fiéis presentes a uma profunda reflexão sobre o mistério da Eucaristia, centro da Solenidade de Corpus Christi. Partindo das palavras de Jesus no Evangelho de São Lucas — “Desejei ardentemente comer convosco esta ceia” —, o arcebispo ressaltou que a celebração reunia toda a Arquidiocese em um testemunho público de fé na presença real de Cristo no Santíssimo Sacramento.
“Nós cremos nisto. A nossa fé é eucarística. Jesus está na Eucaristia e nela permanece conosco até o último dia do mundo”, afirmou. Dom José recordou que a Eucaristia é a certeza da presença permanente do Senhor no meio do seu povo. “Para aqueles que a ausência de Jesus entristece, a Eucaristia é a certeza de uma presença misteriosa e invisível”, destacou, acrescentando que os cristãos não apenas acreditam nessa presença, mas dela necessitam para percorrer o caminho que conduz à plenitude da vida.
Ao aprofundar o sentido da solenidade, o arcebispo convidou os fiéis a compreenderem o mistério eucarístico a partir de três verbos fundamentais: comer, adorar e ser.
O primeiro verbo apresentado foi comer. Dom José destacou que a Eucaristia é uma refeição desejada por Cristo para estabelecer comunhão com seus discípulos. Recordando as palavras do Evangelho — “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna” —, exortou os fiéis a cultivarem constantemente o desejo de Deus. “Que nós sintamos sempre fome de Deus. Fome de Jesus”, afirmou. Comparando a Eucaristia ao maná que sustentou o povo de Israel durante a travessia do deserto, explicou que Cristo continua alimentando sua Igreja ao longo da caminhada da vida até a chegada à eternidade.
O segundo verbo foi adorar. O arcebispo recordou que a presença de Jesus não se limita ao momento da celebração da Missa, mas permanece viva na reserva eucarística. Por isso, diante do sacrário e do ostensório, a atitude do cristão deve ser a adoração. “Nós precisamos adorá-lo”, afirmou. Segundo Dom José, mesmo aqueles que por alguma circunstância não podem receber a Comunhão sacramental podem sempre aproximar-se de Cristo pela adoração. “A adoração também é uma forma de entrar em comunhão com Ele”, explicou.
O ponto central da reflexão, contudo, foi o terceiro verbo: ser. Para o arcebispo, comer e adorar precisam necessariamente conduzir a uma transformação concreta da vida. Citando Santo Agostinho, recordou que “aquele que comemos nos transforma nele”. Assim, a Eucaristia não é apenas um ato de devoção, mas uma força capaz de configurar os cristãos ao próprio Cristo. “Se a nossa Eucaristia, comida e adorada, não nos faz avançar no ser, alguma coisa precisa ser compreendida melhor e vivida melhor”, alertou.
Dom José aprofundou ainda a dimensão comunitária da Comunhão, destacando que os fiéis formam, em Cristo, “um só corpo e um só Espírito”. A partir dessa realidade, ressaltou que a experiência eucarística exige compromisso concreto com os irmãos, especialmente os mais vulneráveis. “Os grandes devem cuidar dos pequenos, os fortes cuidarem dos fracos, os ricos cuidarem dos pobres e os sadios cuidarem dos doentes”, afirmou. Segundo ele, a verdadeira participação na Eucaristia conduz inevitavelmente à caridade, à solidariedade e ao cuidado mútuo dentro da comunidade cristã.
Ao concluir sua homilia, o arcebispo renovou o convite para que a Eucaristia ocupe o lugar central na vida pessoal e comunitária dos fiéis. “A comunidade que celebra bem vai fazer bem as outras coisas”, afirmou, ressaltando que da celebração eucarística brotam a missão, o testemunho, o serviço e o cuidado com os irmãos.
Confiando a celebração e a vida da Igreja à intercessão de Maria, apresentada por São João Paulo II como a “Mulher Eucarística”, Dom José Carlos exortou os fiéis a viverem diariamente os três verbos propostos em sua reflexão.
“Comer, adorar e ser. E precisamos chegar ao ser. A Eucaristia precisa modificar o nosso ser”, concluiu a homilia, convidando todos a se tornarem homens e mulheres moldados segundo o coração de Jesus, repletos de compaixão, misericórdia e amor.
Fotos: Laura Tupinambá


























