
Após um ano marcado por intensas experiências de fé, comunhão e esperança, a Arquidiocese de Montes Claros celebrou, no dia 28 de dezembro, o Encerramento Arquidiocesano do Ano Santo 2025 – Jubileu da Esperança, reunindo o povo de Deus na Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida. A celebração foi presidida por Dom José Carlos de Souza Campos, Arcebispo Metropolitano, e concluiu, em comunhão com toda a Igreja, o caminho espiritual vivido sob o tema “Peregrinos de Esperança”.
O Ano Jubilar Ordinário foi iluminado pela Bula Spes non confundit (“A esperança não decepciona”), do Papa Francisco, que convocou toda a Igreja a redescobrir a esperança cristã como dom de Deus e compromisso concreto com a vida e com a missão. Ao longo deste tempo de graça, a Arquidiocese viveu peregrinações, celebrações, momentos de oração, reconciliação e caridade, fortalecendo a unidade e renovando a fé do povo.
Um Jubileu vivido como tempo de graça e misericórdia
Desde sua origem bíblica, o Jubileu é compreendido como um tempo privilegiado de libertação, perdão e restauração (cf. Lv 25,8-13). Em Jesus Cristo, esse sentido alcança sua plenitude quando Ele proclama o “ano da graça do Senhor” (cf. Lc 4,18-19), revelando que o verdadeiro Jubileu acontece na experiência da misericórdia e do amor libertador de Deus.
Na tradição da Igreja, os Anos Santos se tornaram ocasiões especiais de encontro com o Senhor, marcadas por sinais concretos como a peregrinação, a reconciliação, a oração, a liturgia, a profissão de fé, a indulgência jubilar e o exercício da caridade. Esses gestos expressam, de forma visível, o caminho permanente de conversão ao qual todos os fiéis são chamados.
A homilia de Dom José Carlos: o Jubileu termina, mas a peregrinação continua
Na homilia do encerramento, Dom José Carlos destacou que o fim do Ano Jubilar não representa o término da caminhada cristã, mas um novo impulso para seguir adiante. Com palavras firmes e paternas, o Arcebispo recordou que “a peregrinação não terminou, o caminho prossegue”, e que as graças recebidas ao longo do Jubileu devem acompanhar o povo de Deus na vida cotidiana.
O centro da mensagem foi o convite a nunca esquecer a identidade fundamental do cristão: somos amados e eleitos por Deus. Inspirado em São Paulo, Dom José Carlos recordou com insistência: “Vós sois amados por Deus, sois os seus santos eleitos. Não se esqueçam disso, por favor”. E acrescentou que essa verdade permanece válida em todas as circunstâncias: “Independente da nossa condição, do nosso pecado ou da nossa pouca excelência no caminho da fé, nós somos amados por Deus”.
Segundo o Arcebispo, guardar essa certeza no coração é essencial para a caminhada cristã: “Isso precisa ir conosco o tempo todo, para que ninguém desanime nem de si mesmo, nem da sua história e nem do seu futuro”.
Ao mesmo tempo, o Arcebispo apresentou aquilo que chamou de o “dever de casa” para o tempo que se abre após o Jubileu. Recordando São Paulo, Dom José Carlos exortou: “Revesti-vos de sincera misericórdia, bondade, humildade, mansidão e paciência”, lembrando que essas virtudes devem acompanhar o cristão no cotidiano.
Ele destacou ainda a necessidade do perdão e da convivência fraterna: “O outro não será nunca do jeito que eu quero que ele seja”, afirmou, insistindo no apelo bíblico: “Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente”. Segundo Dom José Carlos, “o perdão nos faz ir adiante, mesmo com a fadiga de ter que dá-lo todos os dias”.
O Arcebispo também chamou a atenção para o amor como marca essencial do discípulo de Cristo: “Ninguém deve ficar devendo nada aos outros, senão o amor”, recordou, afirmando que esta é uma dívida permanente. Esse amor, explicou, deve ser vivido de modo concreto, assim como a gratidão e a escuta da Palavra: “Precisamos ser homens e mulheres habitados pela Palavra, deixando que ela dê forma ao nosso coração”.
Dom José Carlos também ressaltou que tudo o que a Igreja realiza — especialmente o cuidado com os pobres, vulneráveis e pequenos — deve ser feito em nome de Jesus e por causa d’Ele. Em sua homilia, foi categórico ao afirmar: “O amor que manifestamos na direção do outro não é ideologia política, nem ativismo social; é compromisso com o Evangelho, é compromisso com Jesus”. Assim, o Jubileu se prolonga na vida concreta, tornando-se testemunho de fé, reconciliação e esperança.
Inspirando-se na celebração da Sagrada Família, o Arcebispo recordou que a Igreja é chamada a viver como uma grande família ainda em peregrinação. “Celebramos a Sagrada Família de Nazaré, mas também nos entendemos como uma grande e bela família ainda em peregrinação”, afirmou.
Nesse horizonte, Dom José Carlos fez um forte apelo ao cuidado com os mais frágeis: “Não deixemos ninguém para trás”, exortou, recordando que o cuidado dedicado aos pais, aos idosos, aos doentes e aos vulneráveis é um dever permanente da fé cristã. “Não deixemos ninguém para trás”, exortou.
Ao final, Dom José Carlos convidou a Arquidiocese a avançar discernindo tudo a partir do alto, à semelhança de São José, homem capaz de escutar Deus e tomar decisões guiado pela fé. “José é aquele que representa o homem capaz de tomar decisões escutando Deus”, afirmou, desejando que o caminho pessoal, familiar, eclesial e social seja sempre trilhado em permanente escuta do Senhor. O caminho pessoal, familiar, eclesial e social — afirmou — deve ser trilhado em permanente escuta do Senhor, até que, um dia, todos possam contemplar a Sua face.
Um caminho que continua
A Arquidiocese de Montes Claros iniciou o Ano Jubilar 2025 no dia 29 de dezembro de 2024, Festa da Sagrada Família, em comunhão com a Igreja no mundo inteiro, após a abertura da Porta Santa em Roma pelo Papa Francisco. A celebração arquidiocesana teve início na Igreja Matriz de Santa Rita de Cássia, com a proclamação do Evangelho e a leitura da Bula Spes non confundit, seguida de uma expressiva peregrinação até a Catedral Metropolitana, conduzida pela imagem do Senhor do Bonfim de Bocaiuva, um dos grandes símbolos jubilares deste tempo de graça.
Ao encerrar o Jubileu da Esperança, a Arquidiocese eleva a Deus uma profunda ação de graças pelos frutos colhidos e renova o compromisso de seguir adiante como povo peregrino, sustentado pela certeza de que a esperança não decepciona e de que o Senhor continua caminhando com o Seu povo.
Foto: Laura Tupinambá.






















