A Arquidiocese de Montes Claros se alegra ao se aproximar mais um momento de graça: a Ordenação Presbiteral do Diácono John Winston Cardoso Sá, que acontecerá no dia 14 de fevereiro de 2026 (sábado), às 9h, na Igreja Nossa Senhora do Carmo, em Montes Claros. O lema escolhido para este grande dia expressa o desejo mais profundo de seu coração: “Para guiar o teu povo” (1Rs 3,9).
O Ano Pastoral de 2025 foi vivido na Paróquia Santuário Senhor do Bonfim, em Bocaiuva, onde exerceu seu ministério diaconal com dedicação e espírito de serviço. Já no dia 10 de dezembro de 2025, data em que a Diocese de Montes Claros celebrou 115 anos de criação, a Arquidiocese publicou o comunicado oficial com sua nomeação para o exercício ministerial em 2026: John foi designado Administrador Paroquial da Paróquia Senhor Bom Jesus, em Rubelita, e Vigário Paroquial da Paróquia São Geraldo, em Salinas.
Uma história marcada pela fé e pela família
Nascido em 06 de maio de 1997, em São Paulo (SP), John é oriundo da Paróquia Senhora Sant’Ana, em Brasília de Minas. Filho primogênito de Manoel Oliveira Sá (in memoriam) e Maria Vanilda Cardoso Sá (in memoriam), traz na própria história marcas profundas de amor, dor e esperança.
Ao falar de sua mãe, emociona-se. Para ele, ela foi o grande exemplo de fé e entrega. Recorda com carinho:
“Deus a chamou cedo, quis que ela participasse de sua eterna alegria. Sempre gostei de uma frase atribuída ao Papa Bento XVI: ‘Há santos que só Deus sabe o nome’. Creio que isso vale para ela. Mesmo tendo adormecido tão jovem, minha mãe me deixou algo sagrado: o mapa da vida. Sua entrega e o cuidado com as pessoas foram o norte da minha caminhada”.
Criado pelos avós maternos, foi no seio familiar que iniciou seu crescimento e amadurecimento na fé católica. Sua avó, dona Guilhermina, sempre levava ele, sua irmã Lesley Sá e sua prima, Ingrid Mikaely, para participarem das missas dominicais na Matriz de Santa Ana. Disse ele:
“Morávamos longe da Igreja Matriz, chegávamos quase sempre atrasados. Minha avó nos colocava sentados na escada do presbitério ou na antiga mesa de comunhão. Se saíssemos de lá, era um beliscão ou puxão de orelhas…” (risos).

O despertar vocacional
Na adolescência, afastou-se um pouco da vida eclesial. Foi o tio Humberto quem o trouxe de volta. Percebendo que o sobrinho só queria sair para jogar bola e estar com os amigos, deu-lhe um desafio:
“Um dia, tio Beto, já percebendo que eu só vivia saindo de casa para jogar bola e sair com os meus colegas, me disse: ‘Ou você vai comigo à missa, ou não irá sair com seus colegas para canto algum. Escolha um dia da semana para ir comigo’. Foi aí que comecei a frequentar as missas novamente.”
A partir dessa decisão simples, sua história começou a mudar. Após uma celebração, um colega acólito o convidou para servir na missa de encerramento da festa de Sant’Ana. Relutante, aceitou para agradar o tio.
Sem formação alguma, vestiu a túnica e foi para a procissão com o turíbulo. A experiência não foi fácil:
“A procissão foi tranquila, mas quando chegamos à Igreja e iniciou a Santa Missa, eu estava perdido. Não fazia ideia dos momentos de usar o turíbulo, não sabia manusear direito. O mal menor foi que quem estava comigo manuseando a Naveta sabia um pouco mais. Eu não queria mais saber de servir.”

Na semana seguinte, ao ir para a escola onde estudava (Escola Estadual Adelaide Medeiros), foi bastante elogiado pelas professoras Janilda, Reginalda e Luciane, que o viram servindo na procissão e na missa. Acostumado a ouvir elas lhe dando uns puxões de orelhas por conversar demais nas aulas, ficou extremamente motivado pelos elogios e decidiu continuar servindo.
“Janilda, Rege e Lú possuem um papel muito importante em minha história vocacional. No começo, só persisti na missão por causa delas. Primeiro veio o medo e a vergonha de estar ali. Depois, Deus colocou-as no meu caminho para me motivar. Sempre rezo por elas.”
Sem formação específica, começou a buscar vídeos na internet para aprender o serviço ao altar. Como a maioria dos servidores, sempre gostou mais de manusear o turíbulo. Não queria saber de outra função. Assim aos poucos, o que era insegurança transformou-se em amor pela liturgia.
O chamado que falou mais alto
Ao chegar um novo padre em sua paróquia (Padre Geraldo Afonso), John recebeu um convite para participar de um retiro no Seminário Maior. Pensando ser um retiro comum, o jovem foi. Ao chegar, percebeu que se tratava de encontros vocacionais em vista do ministério ordenado. Ficou os três dias no encontro e, retornando à sua paróquia, disse ao padre que não tinha desejo de ser padre, pois já vivia um relacionamento.
Dois anos depois de ter se formado, sem impulso algum de outras pessoas, sentiu o desejo de ir ao seminário viver novamente aquela experiência. Foi recebido pelo então seminarista Cleydson Rafael (hoje padre), que o orientou e o conduziu aos encontros.
Após ter sido aprovado, ingressou no Seminário no ano de 2017 e passou a viver mais intensamente a experiência vocacional.
“Tenho uma gratidão imensa ao Seminário Maior Imaculado Coração de Maria e a todo o corpo formativo e colaboradores, pois foi ali que fui capacitado para servir à Santa Igreja e ao Povo de Deus”.

Por diversas vezes desejou sair do processo formativo, mas, como recorda o profeta Jeremias: o chamado foi mais forte e, felizmente, Deus teve mais poder (cf. Jr 20,7). Ele relata qual foi sua maior dificuldade para assumir o ministério ordenado:
“Sempre tive o desejo de ser pai, ter uma filha. Algo que me fez repensar bastante a minha vocação. Até que Deus me deu de presente uma afilhada. A coisa mais linda. Pérola é o seu nome. Percebi que a paternidade pode também ser vivida de outra forma.
Recorda ainda um pensamento de Dom João Justino:
“Um jovem que não tenha condições de abraçar o matrimônio e gerar filhos demonstra pouca habilidade para o ministério de padre. Abrir mão do matrimônio e da paternidade é renunciar uma maravilhosa oportunidade, visando oferecer a própria vida e todas as suas energias para gerar filhos espirituais. Isso requer coragem e decisão, renúncia e vigor, alegria e disponibilidade.”
Fruto do cuidado e da missão

Sua caminhada foi profundamente marcada pelo acompanhamento do padre André Cardoso Duarte, a quem considera pai espiritual.
“O testemunho de amor ao ministério ordenado vivido pelo Padre André fez crescer em mim o desejo de ser padre. Por isso, sempre digo: sou filho e fruto do ministério dele. Não existiria o padre John sem este cuidado paternal”, afirmou o diácono.
Ordenado diácono em 02 de agosto de 2025, na Paróquia Santuário Senhor do Bonfim, em Bocaiuva, onde realizou seu estágio pastoral, John tem buscado viver o ministério com espírito de serviço, escuta e disponibilidade.
Uma mensagem aos jovens
Às vésperas de sua ordenação, o diácono deixa uma palavra especial aos jovens que sentem o chamado vocacional:
“Haverá cruzes, haverá dificuldades, mas sigam, mesmo com os medos! Haverá inúmeros Simão de Cirene que lhes ajudarão a carregar e suportar as cruzes. E, sobretudo, haverá mais alegrias que tristezas neste caminhar. Sou prova disso.”
A Arquidiocese convida todo o Povo de Deus a rezar pelo Diácono John Winston Cardoso Sá e a participar deste momento de graça para a Igreja Particular de Montes Claros. Que o Senhor, que começou a boa obra, a leve à plenitude.






