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Memória viva da Igreja: Dom Leonardo emociona povo de Deus em Missa dos 25 anos da Província

A Arquidiocese de Montes Claros viveu, na manhã do último sábado, 25 de abril de 2026, um dos momentos mais marcantes de sua história recente ao celebrar o Jubileu de Prata pelos 25 anos da criação da Província Eclesiástica de Montes Claros e da elevação da Igreja Particular à condição de Arquidiocese e Sé Metropolitana. A data jubilar recorda um passo decisivo na caminhada evangelizadora da Igreja no Norte e Noroeste de Minas Gerais, fruto de uma trajetória iniciada oficialmente em 1911, com a posse de Dom João Antônio Pimenta, primeiro bispo da então Diocese de Montes Claros.

O grande marco histórico rememorado aconteceu em 25 de abril de 2001, quando o Papa São João Paulo II, por meio da Bula Maiori Christifidelium, elevou Montes Claros à dignidade de Arquidiocese Metropolitana e instituiu oficialmente a Província Eclesiástica, reunindo sob sua jurisdição as dioceses sufragâneas de Janaúba, Januária e Paracatu. Desde então, a Igreja na região passou a viver uma nova etapa de comunhão pastoral, organização e impulso missionário.

As celebrações jubilares aconteceram na Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, coração espiritual da Arquidiocese, e tiveram início às 9h com um solene Momento Mariano, marcado pela entronização das imagens de Maria, Mãe da Igreja, padroeira principal da Arquidiocese, e de São João Paulo II, pontífice responsável pela criação da Província Eclesiástica. Em seguida, os fiéis participaram da recitação do Santo Terço conduzida pelos Arautos do Evangelho.

Às 10h, teve início a Santa Missa Solene em ação de graças, presidida pelo arcebispo metropolitano, Dom José Carlos de Souza Campos, que abriu a celebração recordando o significado daquele momento jubilar: “Nesta Eucaristia queremos fazer memória de uma história jubilar: 25 anos da nossa Província Eclesiástica de Montes Claros, onde vamos buscando construir caminhos comuns aqui nestas terras do norte e do noroeste do nosso Estado.”

O arcebispo saudou os fiéis reunidos na Catedral Metropolitana e todos os que acompanhavam a celebração pelos meios de comunicação, especialmente os membros das dioceses irmãs que compõem a Província Eclesiástica. Dirigiu ainda palavras de carinho a Dom José Alberto Moura, seu antecessor, e agora arcebispo emérito de Montes Claros, e homenagem especial a Dom Leonardo de Miranda Pereira, bispo emérito de Paracatu, reconhecendo sua decisiva participação na história celebrada: “É um mentor, eu digo, é o pai desta Província Eclesiástica.”

Referindo-se à presença de Dom Leonardo, que completará 90 anos em breve, Dom José Carlos acrescentou: “Está aqui conosco com a alegria de sempre. Gratidão a ele por ter aceito o nosso convite e por ter marcado também presença bonita neste caminho de 25 anos da nossa Província.”

Convidando a assembleia a viver intensamente aquele momento de ação de graças, o arcebispo destacou ainda o valor da participação de tantos homens e mulheres ao longo da caminhada eclesial: “A história da Igreja se faz a muitas mãos, a muitos agentes; por isso é preciso reconhecer cada um, cada uma, e é isso que nós queremos fazer na Eucaristia desta manhã.”

A celebração reuniu grande número de fiéis, religiosos, religiosas, seminaristas, leigos e leigas vindos de diversas paróquias e comunidades da Arquidiocese, além de representantes das dioceses sufragâneas.

A homilia foi proclamada por Dom Leonardo de Miranda Pereira, bispo emérito de Paracatu, que exerceu papel importante no processo histórico que culminou com a criação da Província Eclesiástica, sendo à época bispo diocesano de Paracatu. Ele também representou Dom Jorge Alves Bezerra, atual bispo de Paracatu, acompanhado de Monsenhor João César de Melo, vigário geral daquela Diocese.

Representando a Diocese de Janaúba, esteve presente o Padre Rogério de Jesus Bispo, reitor do Seminário Diocesano Maria Mãe da Igreja e coordenador diocesano de pastoral, em nome de Dom Roberto José da Silva. Já a Diocese de Januária foi representada por Monsenhor Natelson Alkimim Coutinho, vigário geral, enviado por Dom Dorival Souza Barreto Júnior.

Também participou da celebração os vigários gerais da Arquidiocese, Monsenhor Silvestre José de Melo e Padre Harlley Caldeira Mourão, juntamente com dezenas de membros do clero arquidiocesano.

Marcaram presença ainda diversas autoridades civis, militares e políticas, representantes do poder público municipal e estadual, lideranças comunitárias e convidados, manifestando reconhecimento à importância histórica, social e espiritual da Arquidiocese de Montes Claros para toda a região Norte de Minas.

Durante toda a programação jubilar, os fiéis puderam receber a Indulgência Plenária, concedida pelo Papa Leão XIV, desde que participassem integralmente das celebrações e cumprissem as condições estabelecidas pela Igreja: confissão sacramental, comunhão eucarística e oração nas intenções do Santo Padre.

Foi neste clima de fé, gratidão e memória eclesial que Dom Leonardo de Miranda Pereira conduziu sua homilia, oferecendo aos presentes não apenas uma reflexão espiritual sobre a Palavra de Deus, mas também um precioso testemunho histórico sobre os caminhos que levaram à criação da Província Eclesiástica de Montes Claros.

Chamados a anunciar o Evangelho

No início da homilia, Dom Leonardo recordou a missão confiada por Cristo aos discípulos no Evangelho proclamado naquele dia: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15). Segundo o bispo emérito, este mandato não pertence apenas aos apóstolos, mas alcança todo cristão desde o Batismo.

“Já a partir do nosso Batismo, toca-nos essa ordem de Jesus: anunciar a todo mundo, em todos os tempos, essa palavra de salvação”, afirmou.

Ele destacou ainda que evangelizar exige coerência de vida: “Não são tantas palavras, mas atitudes, é que demonstram que realmente somos discípulos de Jesus e anunciadores do seu Evangelho”.

Ao recordar São Marcos, celebrado liturgicamente naquele dia, Dom Leonardo ressaltou sua fidelidade à missão mesmo em tempos difíceis, apresentando-o como modelo para a Igreja de hoje: “Marcos ensina que a fé deve ser vivida e mantida, mesmo em momentos difíceis, de dúvidas ou perseguições, à imitação do próprio Jesus”.

A história da Província Eclesiástica de Montes Claros

Em seguida, Dom Leonardo emocionou os presentes ao partilhar detalhes da história que antecedeu a criação da Província Eclesiástica de Montes Claros. Bispo de Paracatu na época, ele relatou que, ao assumir aquela Diocese em 1986, encontrou uma situação canônica e pastoral considerada por ele “atípica”.

“Percebi de imediato uma situação totalmente atípica”, recordou. A Diocese de Paracatu, situada em Minas Gerais, pertencia então à Província Eclesiástica de Brasília, enquanto pastoralmente integrava o Regional Leste 2 da CNBB, em Minas Gerais.

Com bom humor, Dom Leonardo repetiu mais de uma vez durante a homilia: “Durmo com esse barulho!”, ao descrever a complexidade daquela organização.

Ele confessou que a situação sempre lhe causou desconforto: “Essa situação tão esquisita, tão atípica, sempre me causou mal-estar e inquietação”.

O caminho para uma nova Província em Minas Gerais

Após dialogar com o Cardeal Dom José Freire Falcão, então Arcebispo de Brasília, Dom Leonardo conseguiu o desligamento de Paracatu daquela Província. Porém, surgiu um novo desafio.

“A Diocese de Paracatu estava solta. Não pertencia a nenhuma província eclesiástica”, contou.

Foi nesse contexto que amadureceu a ideia de integrar Paracatu a uma nova Província Eclesiástica em Minas Gerais, tendo Montes Claros como sede.

Dom Leonardo explicou que percebeu a necessidade de reorganização ao constatar a extensão territorial então concentrada sob a Província de Diamantina. “Mais da metade do Estado de Minas Gerais era uma única província”, observou.

Montes Claros: liderança natural

Segundo Dom Leonardo, Montes Claros reunia todas as condições para se tornar sede metropolitana. Em reunião com o Núncio Apostólico, ele apresentou esse entendimento:

“Montes Claros, pela sua reconhecida grandeza, pela reconhecida grandeza de sua cidade, pela sua inegável situação de liderança religiosa, socioeconômica e cultural, constituísse uma nova província em Minas”.

Em diálogo com Dom Geraldo Magela de Castro, então Bispo de Montes Claros, apresentou a proposta. Num primeiro momento, Dom Geraldo mostrou humildade e cautela, receoso de que a iniciativa fosse mal interpretada. Contudo, ao saber que o Arcebispo de Diamantina também concordava com a reorganização, acolheu o projeto.

O apoio decisivo da Santa Sé

Outro momento marcante narrado por Dom Leonardo foi a reunião com o então Núncio Apostólico no Brasil, Dom Alfio Rapisarda, durante assembleia do Regional Leste 2.

Segundo ele, o representante pontifício acolheu imediatamente a proposta: “Declarou-se totalmente a favor de nossa proposta, assegurando-nos seu total apoio e incentivo”. A partir dali, tiveram início os processos para a criação da Diocese de Janaúba e da nova Província Eclesiástica.

A concretização de um sonho

Os frutos vieram em seguida. Em 5 de julho de 2000, foi criada a Diocese de Janaúba. Depois, em 25 de abril de 2001, por decisão do Papa São João Paulo II, foi oficialmente criada a Província Eclesiástica de Montes Claros.

Dom Leonardo anunciou esse marco histórico com entusiasmo durante a homilia:

“A Província Eclesiástica de Montes Claros, para a glória de Deus e felicidade e alegria de todos nós, particularmente deste povo querido aqui, foi criada a 25 de abril de 2001”.

Na mesma ocasião, a Diocese de Montes Claros foi elevada à dignidade de Arquidiocese Metropolitana, tendo como sufragâneas Januária, Janaúba e Paracatu.

Gesto emocionante marcou o encerramento da homilia

Ao concluir sua reflexão e recordar a contribuição que ofereceu para a criação da Província Eclesiástica de Montes Claros, Dom Leonardo afirmou com humildade:

“Esse, em resumo, o que pude contribuir para a criação da Arquidiocese em Montes Claros, sede dessa Província”.

Em seguida, após pedir calorosas palmas para Dom José Alberto Moura e para Dom José Carlos de Souza Campos, o bispo emérito de Paracatu protagonizou um dos momentos mais comoventes da celebração. Aproximando-se de Dom José Carlos, Dom Leonardo o abraçou fraternalmente e, em gesto de profunda simplicidade e comunhão eclesial, pediu-lhe a bênção diante de toda a assembleia.

A Catedral, tomada pela emoção, respondeu com aplausos e reverência ao encontro entre dois pastores unidos pelo amor à Igreja.

Sensibilizado, Dom José Carlos dirigiu palavras de reconhecimento e carinho a Dom Leonardo, destacando sua importância para a história da Igreja no Norte de Minas:

“É uma memória viva. É um belo exemplar da história desses 25 anos de Província e de outros tantos anos antes”.

Em tom afetuoso e descontraído, o arcebispo revelou ainda que Dom Leonardo já havia sido convidado para as futuras celebrações jubilares:

“Falei com ele aqui que já está convidado para os 35 anos da Província. E, pelo tipo dele, pelo cuidado que ele tem consigo mesmo, não duvido que esse homem estará aqui”.

Dom José Carlos recordou que Dom Leonardo completará 90 anos no próximo mês de junho e exaltou sua fecunda trajetória ministerial:

“Deus o abençoe ricamente e o conserve assim: um homem de Deus, uma testemunha viva do Evangelho, de amor à Igreja, de entrega nos seus mais de 65 anos de ministério presbiteral e mais de 40 anos de bispo”.

As palavras e o gesto final coroaram a celebração jubilar com forte significado espiritual: a gratidão pelo passado, a comunhão no presente e a esperança no futuro da Igreja Particular de Montes Claros.

Gratidão, memória e compromisso com o futuro marcaram a conclusão da celebração

Ao final da Santa Missa jubilar, Dom José Carlos de Souza Campos dirigiu palavras de agradecimento e renovou o convite para que a Igreja de Montes Claros continue caminhando unida, valorizando sua história e olhando com esperança para o futuro.

O arcebispo destacou inicialmente a importância da memória preservada nos arquivos e objetos históricos expostos durante a programação jubilar, recordando que a trajetória da Igreja também se conserva em sinais concretos do passado. “A história não começa do zero. Muitos vieram antes de nós: bispos, arcebispos, religiosos, religiosas, leigos e leigas. São tantos no caminho”, afirmou.

Em tom emocionado, Dom José Carlos ressaltou que todos aqueles que ajudaram a construir a caminhada da Igreja merecem ser lembrados e colocados no coração de Deus: “Queremos também, nesta Eucaristia que terminamos, colocá-los mais uma vez no colo amoroso de Deus, pedindo recompensa para esses irmãos e irmãs que fizeram história conosco.”

Referindo-se à homilia de Dom Leonardo de Miranda Pereira, o arcebispo afirmou que suas palavras se tornaram também patrimônio da memória eclesial da Arquidiocese: “A homilia que o senhor fez hoje vai compor também o quadro da nossa história. Vai ficar guardada como um belo testamento de quem fez todo o caminho e nos alegrou e nos emocionou aqui nesta manhã.”

Dom José Carlos agradeceu ainda aos representantes das dioceses sufragâneas de Paracatu, Januária e Janaúba, que participaram da celebração em nome de seus respectivos bispos, destacando o esforço permanente de comunhão entre as Igrejas particulares que compõem a Província Eclesiástica. “Sigamos buscando construir essa amizade que, em alguma medida, é sempre testemunho no meio de nós.”

O arcebispo estendeu sua gratidão aos padres, diáconos, religiosos, religiosas e leigos que, diariamente, sustentam a missão evangelizadora nas quatro dioceses da Província. “Ajudam a fazer história, a continuar escrevendo o Evangelho com tinta de hoje, com sangue de hoje, com cansaço de hoje.”

Também dirigiu reconhecimento às autoridades civis, militares e políticas presentes, reforçando a importância da parceria em favor do bem comum: “É muito importante que nós cresçamos sempre numa sintonia, numa proximidade, numa parceria para o bem da nossa gente.”

Em seguida, Dom José Carlos recordou a proteção materna de Nossa Senhora Mãe da Igreja, padroeira principal da Arquidiocese, incentivando os fiéis a divulgarem e cultivarem essa devoção. “Estamos consagrados a ela. É ela quem cuida de nós e que nos acompanha do céu, tendo-nos debaixo também do seu manto.”

Concluindo sua mensagem, o arcebispo renovou o chamado missionário da Igreja no Norte de Minas: “O importante é que, no meio destas terras sertanejas, possamos continuar dando testemunho de Jesus, anunciando o Evangelho com a palavra e com a vida, a fim de que até os confins destas terras e até o último dia do mundo, haja aqui quem creia e quem anuncie Jesus Cristo.”

Encerrando a celebração, Dom José Carlos concedeu a Bênção Apostólica com Indulgência Plenária, em nome do Papa Leão XIV, coroando uma manhã de fé, memória agradecida e renovação missionária para toda a Província Eclesiástica de Montes Claros.

Fotos: Laura Tupinamba

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