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Missa da Unidade reúne Igreja Arquidiocesana e destaca apelo à fidelidade à missão de Cristo

A Arquidiocese de Montes Claros viveu, na noite da última quinta-feira, 26 de março de 2026, um dos momentos mais expressivos de sua caminhada de fé: a celebração da Missa da Unidade, realizada às 19h, na Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida. Reunida como um só povo, a Igreja particular manifestou visivelmente sua identidade de comunhão, fortalecida na escuta da Palavra, na celebração dos sacramentos e na unidade em torno de seu pastor.

Conhecida também como Missa do Crisma ou dos Santos Óleos, a celebração reuniu padres, diáconos, religiosos e religiosas, além de numerosos fiéis leigos vindos das diversas paróquias da Arquidiocese. Presidida pelo arcebispo, Dom José Carlos de Souza Campos, a celebração evidenciou a beleza da Igreja reunida, na diversidade de vocações e ministérios, mas unida na mesma fé e missão.

Embora tradicionalmente celebrada na Quinta-feira Santa, a Missa da Unidade é antecipada na Arquidiocese de Montes Claros por motivos pastorais. A decisão favorece a ampla participação do clero e dos fiéis, levando em conta a grande extensão territorial da Igreja particular, permitindo que este momento de unidade seja vivido de forma mais intensa e representativa em toda a Arquidiocese.

Igreja reunida como “assembleia de ungidos”

Durante a homilia na Missa da Unidade, o arcebispo de Montes Claros, Dom José Carlos de Souza Campos, conduziu uma profunda reflexão sobre a identidade e a missão da Igreja a partir da realidade da “unção”, destacando que toda a comunidade cristã é marcada pela presença viva de Cristo.

Logo no início, o arcebispo recordou que a liturgia apresenta a figura do “ungido”, anunciada pelo profeta Isaías e plenamente realizada em Jesus Cristo. “Estamos aqui numa assembleia de ungidos por causa de Cristo, no nome de Cristo e para atualizar e perpetuar a unção de Cristo”, afirmou, sublinhando que os sacramentos – especialmente o Batismo, a Crisma e a Ordem – tornam os fiéis participantes dessa mesma unção.

Segundo Dom José Carlos, essa realidade não é apenas simbólica, mas concreta e permanente: “A unção de Cristo prossegue em nós e nos torna uma comunidade de sacerdotes para Deus”. Ele destacou ainda que todos os batizados são chamados a viver como discípulos, missionários e servidores, cada um segundo sua vocação.

Preocupações pastorais e sociais

Ao dirigir-se à assembleia, o arcebispo apresentou algumas preocupações que desafiam a Igreja local. Entre elas, destacou a situação de pessoas e famílias sem moradia digna, bem como o crescente número de pessoas em situação de rua.

“Não dar nada a eles não é política pública, e não fazer nada por eles não é o espírito do Evangelho”, alertou. Diante dessa realidade, propôs a união de esforços entre Igreja, poder público e sociedade civil, sugerindo inclusive a criação de uma pastoral da moradia como espaço de diálogo e ação concreta. Também incentivou a participação na Coleta da Solidariedade, como gesto concreto de ajuda, ainda que modesta.

Outra preocupação mencionada foi a realidade dos padres que atuam em regiões mais distantes, muitas vezes enfrentando o isolamento e a solidão. “Há o risco do adoecimento. Ajudem o bispo a encontrar caminhos”, pediu, reforçando a necessidade de corresponsabilidade de toda a Igreja.

Dom José Carlos também chamou atenção para o contexto de ano eleitoral, alertando para os perigos da polarização e das divisões. “Política é a arte de escolher, não a arte de brigar”, afirmou, exortando que as comunidades não se tornem espaços de disputas partidárias, mas permaneçam fiéis ao espírito do Evangelho.

Sinais de esperança para a caminhada

Ao lado das preocupações, o arcebispo apresentou sinais concretos de esperança. Entre eles, destacou o diretório diocesano para os sacramentos, como instrumento de unidade, comunhão e inclusão, capaz de orientar uma ação mais colegiada em toda a Arquidiocese.

Outro ponto de esperança é o fortalecimento da iniciação à vida cristã. Dom José Carlos ressaltou a importância de não excluir ninguém do caminho da fé, mas também de garantir uma preparação séria e profunda para a recepção dos sacramentos. “Nada às pressas, nada como cursinhos, mas encontros fecundos com Jesus”, enfatizou.

Ele também recordou os 25 anos da Província Eclesiástica de Montes Claros, manifestando o desejo de maior proximidade e comunhão entre as dioceses, com iniciativas e atividades comuns que fortaleçam os vínculos e a missão evangelizadora.

Interrogações para a conversão

Em tom de apelo, Dom José Carlos dirigiu interrogações a todo o povo de Deus, convidando a uma profunda revisão de vida e de caminhada eclesial. “Para onde estamos levando nossa Igreja? Queremos ir juntos ou sozinhos?”, questionou, destacando a importância da unidade, mesmo na diversidade de carismas.

O arcebispo também provocou uma reflexão pessoal sobre o caminho de conversão: “Onde estamos neste itinerário espiritual? Onde queremos chegar?”. Ele lembrou que esse processo é contínuo e envolve todos os membros da Igreja, sem exceção.

Dirigindo-se especialmente aos ministros ordenados, recordou o compromisso de obediência assumido e apontou o diálogo como caminho para superar desafios como o individualismo e a autorreferencialidade. “Não se trata apenas de obedecer a um superior, mas também às normas e ao que decidimos em comum”, afirmou.

Permanecer com os olhos fixos em Cristo

Encerrando sua homilia, Dom José Carlos agradeceu a todos os fiéis, religiosos e ministros ordenados pela caminhada já realizada, e exortou a Igreja a seguir adiante com fidelidade e coragem.

“Prossigamos, sem nos contentar com progressos miúdos”, concluiu, convidando toda a Arquidiocese a permanecer com os olhos fixos em Jesus, fonte e plenitude da unção que sustenta e conduz a missão da Igreja.

Após a homilia de Dom José Carlos de Souza Campos, a celebração seguiu com um dos momentos mais expressivos da Missa da Unidade.

Durante a liturgia, foram abençoados os óleos dos catecúmenos e dos enfermos, e consagrado o óleo do Santo Crisma, que serão utilizados ao longo de todo o ano nas celebrações sacramentais em toda a Arquidiocese de Montes Claros. Trata-se de um dos momentos mais significativos da vida eclesial, pois esses óleos são sinais sensíveis da graça de Deus que fortalece, cura, consagra e envia em missão. A consagração do Crisma, em particular, remete à plenitude do Espírito Santo, que unge e sustenta a Igreja em sua vocação evangelizadora.

Outro momento de grande significado foi a renovação das promessas sacerdotais. Diante do arcebispo e de todo o povo de Deus, os presbíteros renovaram publicamente seu compromisso com o ministério, reafirmando sua fidelidade a Cristo e à Igreja. Esse gesto, carregado de profundidade espiritual, recorda a entrega generosa dos sacerdotes e reforça os vínculos de comunhão, obediência e serviço que sustentam a missão pastoral.

Ao final da celebração, Dom José Carlos de Souza Campos dirigiu uma palavra de gratidão aos padres e diáconos da Arquidiocese de Montes Claros, reconhecendo que, em um território tão extenso, a missão da Igreja só é possível graças à dedicação de cada ministro. Ele destacou ainda que reza diariamente por todos.

O arcebispo também convidou os fiéis para a celebração dos 25 anos da Província Eclesiástica de Montes Claros, no dia 25 de abril, na Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, ocasião em que haverá programação especial e concessão de indulgência plenária.

Por fim, reforçou o pedido de colaboração na Coleta da Solidariedade, no Domingo de Ramos, destacando sua importância para o apoio a iniciativas sociais, especialmente na área da moradia, e agradeceu o empenho de todos na vivência da Semana Santa.

Fotos: Laura Tupinambá

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