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“Proximidade com Deus é o coração do ministério presbiteral”, afirma dom José Carlos na ordenação de padre Matheus

A Arquidiocese de Montes Claros viveu um momento de profunda alegria e gratidão no último sábado, 31 de janeiro de 2026, com a ordenação presbiteral do diácono Matheus Rodrigues Lopes, celebrada às 9h, na Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida. A solene Eucaristia foi presidida por dom José Carlos, arcebispo metropolitano, e contou com a presença expressiva de membros do clero, seminaristas, religiosos e religiosas, representantes de pastorais, movimentos, paróquias, além de familiares e amigos do ordenando, que lotaram a Catedral.

Para este momento decisivo de sua vida vocacional, o novo presbítero escolheu como lema o versículo da Carta aos Hebreus: “Para oferecer dons e sacrifícios” (Hb 5,1), palavra que iluminou toda a celebração e, de modo especial, a homilia do arcebispo.

Clique aqui e conheça a história vocacional de Pe. Matheus Rodrigues.

A Entrada Pontifical e a preparação espiritual

Um dos momentos que marcou o início da celebração foi a Entrada Pontifical, realizada antes da Missa. Trata-se de um rito solene no qual o arcebispo é acolhido em sua Igreja Catedral, sinal da comunhão entre o bispo e a Igreja Particular que lhe foi confiada.

À porta da Catedral, o pároco, padre Fernando Andrade, apresentou o Crucifixo a dom José Carlos e ao então diácono Matheus Rodrigues Lopes, que o beijaram em sinal de compromisso com a fé e com o serviço ao povo de Deus. Em seguida, o arcebispo aspergiu água benta sobre si e sobre Matheus e os fiéis, invocando a bênção de Deus sobre todos os presentes.

Após a entrada solene, dom José Carlos, acompanhado do diácono Matheus e do pároco, dirigiu-se à Capela do Santíssimo Sacramento, onde realizaram um momento de adoração silenciosa. Ali, confiaram a Deus a vida, a vocação e o ministério daquele que seria, momentos depois, ordenado presbítero para a Arquidiocese de Montes Claros. A Entrada Pontifical e a adoração eucarística ressaltaram o caráter profundamente espiritual e eclesial da celebração.


O Rito de Ordenação Presbiteral

Após a Liturgia da Palavra, iniciou-se propriamente o Rito de Ordenação Presbiteral, coração da celebração.

Eleição do candidato

O reitor do Seminário Maior Imaculado Coração de Maria, padre Arley Humberto, chamou o ordenando com as palavras: “Queira aproximar-se o que vai ser ordenado presbítero”. Em sinal de prontidão e disponibilidade, o candidato colocou-se diante do arcebispo e respondeu: “Presente”.

Em seguida, o reitor pediu ao arcebispo que ordenasse aquele irmão para o ministério presbiteral. Questionado sobre a idoneidade do candidato, padre Arley declarou, após consulta ao povo de Deus e aos responsáveis pela formação, que Matheus fora considerado digno. Diante disso, dom José Carlos proclamou: “Com o auxílio de Deus e de Jesus Cristo, nosso Salvador, escolhemos este nosso irmão para a Ordem do presbiterado”, ao que toda a assembleia respondeu: “Graças a Deus”.

 


Homilia: A proximidade com Deus como fundamento do ministério presbiteral

Em sua homilia, dom José Carlos destacou que a ordenação presbiteral de Matheus se insere em um tempo fecundo para a Igreja Particular de Montes Claros, marcada pela graça de quatro ordenações presbiterais. Inspirado pelo magistério do Papa Francisco, o arcebispo propôs uma reflexão sobre as “proximidades” que devem caracterizar a vida do presbítero, concentrando-se, nesta celebração, na proximidade com Deus, apresentada como requisito fundamental e inegociável do ministério ordenado.

Dom José Carlos desenvolveu sua reflexão em três acenos principais, que delineiam a identidade e a missão do sacerdote.

Ungido e enviado para cuidar

No primeiro aceno, o arcebispo recordou que o presbítero é ungido e enviado por Deus para cuidar, ressaltando que a unção recebida não é para o exercício de poder ou domínio, mas para o serviço generoso, o anúncio da esperança e o cuidado com toda forma de vida. Essa unção, segundo dom José Carlos, sela uma pertença definitiva a Deus e orienta o sacerdote para uma missão que não exclui ninguém, mas estabelece uma clara primazia evangélica pelos pobres, feridos, aflitos e esquecidos.

“O sacerdote é chamado a cuidar de todos, começando por quem precisa mais ou espera há mais tempo”, afirmou o arcebispo, sublinhando que essa opção não é privilégio, mas fidelidade ao Evangelho e ao próprio Cristo. Ele advertiu ainda sobre a necessidade de discernir entre projetos pessoais e a missão que nasce da unção, recordando que o sacerdote não pode negar aos fiéis aquilo que só ele pode oferecer: os bens espirituais confiados por Deus, como a bênção, a oração, a confissão e os sacramentos.

Mediador entre Deus e o seu povo

No segundo aceno, dom José Carlos apresentou o presbítero como mediador das relações entre Deus e o seu povo, participante, por graça, da única mediação de Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote. Recordando a teologia da Carta aos Hebreus e o prefácio da Missa Crismal, o arcebispo destacou que o sacerdote é chamado a santificar o povo, oferecer o sacrifício e conduzir os fiéis a uma comunhão sempre mais profunda com o Senhor.

Essa missão mediadora, segundo ele, fundamenta toda a ação pastoral do presbítero e o compromete a ser instrumento de comunhão, capaz de fortalecer os fiéis no combate da fé, diante das injustiças, opressões e de tudo aquilo que se opõe ao Reino de Deus.

Seguir, servir e fazer pouca conta de si

No terceiro aceno, dom José Carlos refletiu sobre a necessidade de o sacerdote seguir, servir e fazer pouca conta de si, recordando as palavras de Jesus: “Se alguém me serve, meu Pai o honrará”. O arcebispo afirmou que o verdadeiro fruto do ministério presbiteral nasce da entrega total, comparada ao grão de trigo que morre para gerar vida.

Ele alertou para o risco de um ministério esvaziado, marcado por exterioridades e mundanidades, quando falta a proximidade real e constante com Deus. “Ou começamos de Deus e permanecemos nele, ou corremos o risco de nos tornarmos meros funcionários do culto”, advertiu, chamando os sacerdotes a uma espiritualidade profunda, fiel e perseverante.

Concluindo sua homilia, dom José Carlos exortou o novo presbítero e todo o clero a manterem os olhos fixos em Cristo, aprendendo dele a ser bons pastores, jamais mercenários, e a se deixarem habitar pela Trindade, tornando-se sinais vivos do Bom Pastor no coração da Igreja e do mundo.

Clique aqui e baixe a homilia de dom José Carlos na íntegra. 

Promessas sacerdotais e Ladainha de Todos os Santos

Após a homilia, o diácono Matheus respondeu publicamente às interrogações feitas por dom José Carlos, manifestando seu propósito de exercer fielmente o ministério presbiteral, anunciar o Evangelho, celebrar os sacramentos, viver uma vida de oração e unir-se cada vez mais a Cristo, Sumo Sacerdote. A cada pergunta, respondeu com firmeza: “Quero”.

Em seguida, ajoelhado diante do arcebispo, colocou suas mãos entre as mãos do bispo e prometeu respeito e obediência ao pastor diocesano e a seus legítimos sucessores.

Na sequência, a assembleia foi convidada à Ladainha de Todos os Santos. O eleito prostrou-se ao chão, em sinal de total entrega a Deus, enquanto o povo permanecia de joelhos, suplicando a graça divina sobre aquele que seria consagrado presbítero.


Imposição das mãos e Prece de Ordenação

No momento central do rito, em profundo silêncio orante, dom José Carlos impôs as mãos sobre a cabeça do ordenando, gesto essencial da ordenação, seguido por todos os presbíteros presentes. Em seguida, o arcebispo proferiu a Prece de Ordenação, na qual se pede a Deus que conceda ao novo sacerdote a graça da santidade, a fidelidade ao ministério e a capacidade de ser colaborador do bispo, instrutor da fé e anunciador do Evangelho.


Unção das mãos e entrega do pão e do vinho

Concluída a prece, o novo presbítero foi revestido com a estola sacerdotal e a casula, com o auxílio dos padres Harlley Caldeira e Cleber Dias, que o acompanharam em sua caminhada vocacional. De joelhos, teve as mãos ungidas por dom José Carlos com o óleo do Santo Crisma, sinal da consagração para santificar o povo de Deus e oferecer o santo sacrifício.

As mãos ungidas foram, então, envolvidas e desamarradas por seus pais, José Ailton Lopes e Marlúcia Aparecida Rodrigues Veloso, que também receberam a primeira bênção sacerdotal do filho.

Em seguida, os irmãos de Matheus levaram ao altar o pão e o vinho. O arcebispo entregou-os ao novo sacerdote, dizendo: “Recebe a oferenda do povo para apresentá-la a Deus. Toma consciência do que vais fazer e põe em prática o que vais celebrar, conformando tua vida ao mistério da cruz do Senhor”.

Como sinal de acolhida e comunhão, dom José Carlos e todos os presbíteros presentes abraçaram o neo-sacerdote. A celebração prosseguiu com a Liturgia Eucarística, na qual padre Matheus concelebrou, pela primeira vez, exercendo o seu ministério presbiteral.

Ao final da celebração, já ordenado presbítero, padre Matheus Rodrigues Lopes dirigiu-se à assembleia para expressar seu agradecimento. Com palavras marcadas pela gratidão e emoção, agradeceu primeiramente a Deus pelo dom da vocação, a dom José Carlos pela imposição das mãos e acompanhamento pastoral, aos sacerdotes e diáconos presentes, aos formadores e seminaristas, bem como à sua família, amigos, paróquias e a todos que, ao longo de sua caminhada vocacional, foram instrumentos do cuidado e da fidelidade de Deus. Confiando seu ministério à graça divina, manifestou o desejo de servir à Igreja com generosidade, fidelidade e espírito de entrega, colocando-se à disposição do povo de Deus para oferecer dons e sacrifícios no exercício do sacerdócio.

Abaixo confira a transmissão da Ordenação Presbiteral de Matheus Rodrigues:

Fotos: Laura Tupinambá
Transmissão: Pascom Catedral

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